Beatriz teve o corpo atirado com força contra a cama, soltando um gemido de dor e franzindo a testa.
Ao erguer o olhar para ele, falou com a voz carregada de raiva:
— O que você está fazendo?! Eu quero saber como está o meu pai!
Os olhos de Arthur estavam vermelhos. O cansaço de uma noite em claro dava-lhe uma aparência abatida, tornando-o assustadoramente sombrio naquele momento:
— O seu pai? Beatriz, você não tem nada a me dizer?
O questionamento o fez gelar o coração de Beatriz.
No limiar entre a vida e a morte, ela ligara para pedir socorro, e ele simplesmente a ignorou.
E agora ele falava com ela naquele tom áspero e hostil.
Desde que entrara no quarto, ele não dissera uma única palavra de preocupação com a segurança dela!
Beatriz riu com frieza:
— O que você quer me ouvir dizer? Quer ouvir como sobrevivi a um incêndio? Ou sobre a minha ligação de socorro no meio do fogo, enquanto você não fez absolutamente nada?!
— Você tinha uma bela companhia, por que diabos você voltou?
— Saia da frente! Eu vou ver o meu pai!
Beatriz empurrou-o com as próprias mãos.
Arthur segurou o pulso dela com firmeza, franzindo a testa. Com o tom de voz alterado, retrucou:
— Eu fui para o exterior a trabalho.
Beatriz não acreditou em uma única palavra. Ela tentou puxar a mão com todas as forças, mas era inútil contra a força dele. Só lhe restou esbravejar com raiva:
— E daí? Quem se importa? Faça o que bem entender. Me solte!
Desde que acordara, ela sentia uma inquietação absurda e inexplicável. Seu olho esquerdo não parava de tremer, como se algo extremamente importante a tivesse deixado para sempre, algo que ela não seria capaz de suportar.
Depois de saber pelo bombeiro que sua mãe estava a salvo, a única pessoa com que ela se preocupava era seu pai.
Mas, para piorar, Arthur estava ali atrapalhando.
Naquele momento, ela não queria olhar para a cara dele.
Ao ver que não conseguia se soltar, Beatriz, tomada pela raiva, tentou lhe dar um tapa. Arthur segurou sua mão com rapidez, e essa atitude destruiu qualquer resquício de calma fingida que ele ainda mantinha.
O rosto dele fechou de repente. Com os olhos sombrios, cheios de uma fúria selvagem, cravou o olhar nela:
— Beatriz, como você ousou abortar o nosso filho!
Beatriz paralisou por um instante.
Ao ver a ira acumulada nos olhos daquele homem, o seu coração disparou de pavor.
Mentiras têm perna curta, e Arthur acabaria descobrindo mais cedo ou mais tarde.

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