Ele não esperava que haveria um deslize que a faria perder aquela coroa.
As palavras de Edivaldo mais uma vez comoveram Helena.
— Eu originalmente queria te pagar um jantar para agradecer pela sua ajuda na última vez, mas, do jeito que as coisas estão, sinto que devo muitos e muitos jantares, a ponto de não conseguir mais pagar.
Edivaldo riu da forma exagerada que ela descreveu a situação: — A vida inteira é tão longa, como você poderia não conseguir pagar tudo?
Helena também sorriu: — É verdade. Então de agora em diante, sempre que eu vier à Cidade N, e sempre que eu tiver tempo, posso te convidar a qualquer momento.
Parecendo perceber que havia uma falha em sua afirmação, ela acrescentou: — É claro, desde que as suas amigas não se importem.
Ela quase havia se esquecido de que Edivaldo era um playboy.
Mas, pensando bem, ela não se lembrava de já ter visto Edivaldo agir com grande intimidade com nenhuma mulher.
Talvez fosse porque ele não demonstrasse intimidade na frente dos outros.
Edivaldo se recostou preguiçosamente na cadeira: — Fique tranquila, elas não vão se importar.
Viu só?
De fato era um playboy.
O artigo usado foi no plural.
Do lado de fora do restaurante.
As pernas de Filipe pareciam pregadas no chão, incapazes de se mover.
Seus olhos encaravam fixamente através do vidro transparente os dois que jantavam felizes dentro do restaurante.
A garota sorria de forma suave e viva.
Completamente diferente de como era quando estava na frente dele.
Ele sequer conseguia lembrar há quanto tempo Helena não sorria de forma tão relaxada e à vontade diante dele.
Há tanto tempo que suas memórias haviam sido completamente sobrepostas, lembrando-se apenas da figura fria e serena que ela mantinha.

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