O troféu estava polido e brilhante, mostrando claramente que alguém cuidava dele com frequência.
Mas ela lembrava perfeitamente de tê-lo jogado no lixo.
Ela o pegou para examinar e notou que até a parte lascada era idêntica à de antes.
Portanto, aquele era o mesmo troféu que ela havia descartado.
A mesa de escritório continuava encostada na parede da sala, que estava coberta de bilhetes adesivos de várias cores.
Mas não eram os que ela havia deixado, e sim com a caligrafia de Samuel.
O conteúdo lembrava um pouco aquele caderno que ele havia esquecido; noventa e nove por cento era sobre ela.
O apartamento estava cheio de marcas de vida.
Um copo de água pela metade na mesa de jantar, uma grande variedade de temperos na cozinha, panelas de diversos tipos no armário aberto...
E na geladeira, ingredientes frescos e variados, incluindo a laranja mimo do céu que ela acabara de comer no café da manhã...
Ao ver tudo isso, a expressão antes indiferente de Rebeca assumiu uma nuance obscura. Ela lançou a Samuel um olhar profundo: — Por quê?
Mesmo com a falência da FinVerde, ele ainda era o único herdeiro do Grupo Batista.
Poderia muito bem morar em uma mansão luxuosa, ou até mesmo num hotel cinco estrelas, em um condomínio de alto padrão...
Na pior das hipóteses, ainda tinha a família Batista para onde voltar; não estava desamparado.
Mas por que ele moraria num apartamento alugado e pequeno como aquele?
Quando, no passado, ele desprezava tanto o lugar, a ponto de as visitas dele naqueles sete anos poderem ser contadas nos dedos.
Por que ele estaria morando ali agora?
Samuel bebeu uma garrafa inteira de água e finalmente recuperou um pouco da lucidez.
Mas a cabeça ainda estava pesada e ele não se sentia bem.
Depois de um tempo, ele respondeu à pergunta dela: — Eu só queria experimentar o que você sentiu no passado.
O lugar era realmente pequeno, menor até que um dos banheiros da casa dele.
Os moradores também eram uma mistura complicada, sem nenhuma garantia de segurança.
Os gritos furiosos do homem e o choro doloroso da mulher chegavam em ondas contínuas...
Há muito tempo sem estar num ambiente como aquele, até Rebeca começou a se sentir incomodada.
Mas Samuel parecia acostumado.
Ela perguntou novamente: — Há quanto tempo você mora aqui?
— Cinco meses e oito dias. — ele respondeu honestamente.
Ao notar o olhar de Rebeca, ele se explicou: — Me mudei para cá assim que saí da prisão. No meio disso, fui para a Cidade H e fiquei internado no hospital. Tirando esses dias, são exatos cinco meses e oito dias.
Apenas cinco meses e oito dias, e ele já achava muito difícil de suportar.
Enquanto ela viveu lá por sete anos inteiros, sem reclamar.
Antes, ele dizia de propósito que não gostava dali e não queria visitar, justamente esperando que ela pedisse para mudar de lugar.
Aquele contrato de transferência do imóvel foi colocado há muito tempo no cofre dele, mas nunca pôde ser usado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta