O entusiasmo ardente de Samuel foi totalmente apagado por aquela frase.
Ele não tinha como retrucar.
E nem sabia por onde começar.
Rebeca evitou olhar para ele de propósito e disse, para si mesma: — Se você não quiser, pode desistir agora.
A escolha sempre foi dele.
A resposta de Samuel foi segurar a mão dela firmemente: — Eu quero.
— Mesmo que eu passe o resto da vida escondido, eu quero.
Parecia que o coração de Rebeca tinha sido queimado por alguma coisa.
Com a última gota de razão, puxou a mão de volta: — Preciso ir pra casa.
— Você vai pensar em mim essa noite? — Ele se agarrou a essa pontada de doçura.
Rebeca não se virou: — Não.
Samuel não se irritou, e sorriu na escuridão: — Mas eu vou pensar.
...
Helena ainda não tinha ido dormir, estava na sala assistindo a um Reality Show de Romance de qualidade questionável, suspirando horrores pelo casal na tela.
Quando Rebeca entrou, Helena tirou rapidamente os olhos da televisão e perguntou: — Voltou?
— Hum. — Rebeca trocou os sapatos de cabeça baixa perto da entrada.
— Tem sopa no fogo pra você, toma um pouco pra curar e assentar o estômago.
— Hum.
Rebeca foi à cozinha pegar a sopa e se sentou à mesa, bebendo aos pouquinhos.
— Não dá pra ficar saindo assim sempre, você já vai fazer trinta anos, não tem mais vinte e cinco, o corpo não aguenta. Deixa que a Marina Domingos arranje um assistente pra você. — aconselhou Helena.
Rebeca teve uma assistente, mas a moça foi promovida no início do ano e o cargo estava livre.
Rebeca queria encontrar outra pessoa, mas nunca achou a certa.
Testou três, e não ficou satisfeita.
E o cargo continuava desocupado.
— Tenho procurado sem parar, mas ainda não encontrei a certa. Uma boa assistente é mais difícil de achar que homem bom. — Rebeca suspirou.
O Samba, também parecendo inocente, miou para Helena.
Helena: "..."
Dor de cabeça.
Os dois davam dor de cabeça nela.
Obviamente, no fim das contas, Helena não precisou comprar o leite em pó para o Samba.
O próprio Samuel foi lá entregar.
Quando ele chegou, Helena não estava em casa.
Rebeca encontrou um bilhete deixado por ela, dizendo que fora a um teste para um filme qualquer.
Samuel não trouxe apenas o leite em pó, mas também um café da manhã preparado para Rebeca.
Quando já havia comido e bebido, o cérebro de Rebeca começou a voltar a funcionar e, desconfiada, perguntou a Samuel: — Como você sabia que a Helena não estava em casa?
— Adivinhei.
— Tão bom em adivinhar assim, por que não compra na loteria?

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