O assunto não foi levado adiante.
Não se sabe se Rebeca estava feliz ou o que, mas essa noite ela tomou alguns drinques a mais.
Terminado o jantar, Marina Domingos foi acompanhar os convidados até a saída; quando voltou, Rebeca havia bebido o resto da garrafa sozinha.
— Presidente Ribeiro, por que a senhora bebeu tanto? — perguntou Marina, preocupada.
— Hoje estou feliz. — As bochechas de Rebeca estavam rosadas pela bebida.
Marina pensou que ela estava feliz porque a Conexia havia entrado na bolsa de valores com sucesso: — Mesmo assim, beba menos.
Ela pegou o casaco e a bolsa de Rebeca e a ajudou a sair da sala privada.
— Está chovendo lá fora, vista isso primeiro, vai esfriar, a temperatura caiu nesses últimos dois dias. — Marina colocou o casaco de caxemira de Rebeca sobre os ombros dela.
Os passos dela estavam desordenados, parecia que flutuava.
— Ele não vai vir me buscar hoje? — Rebeca perguntou a Marina.
Marina demorou um instante para entender: — Quem?
— E quem mais seria? O seu mestre cuca, ué.
Marina: "..."
A chefe tinha um ótimo senso de humor.
Falando no diabo, ele aparece.
Quando Samuel entrou da rua, trazia um pouco de umidade.
O enorme lustre de cristal projetava uma luz brilhante que caía de forma oblíqua sobre ele, realçando sua postura elegante.
Ele caminhou direto até Rebeca e, naturalmente, assumiu o lugar de Marina, curvando-se para pegá-la nos braços.
Os longos cabelos de Rebeca caíram, seus fios macios envolvendo o braço dele em silêncio.
Ela inclinou a cabeça para olhá-lo.
Apenas sentiu que aquela penumbra barulhenta combinava perfeitamente com o rosto dele.
Samuel também a observava, com uma leve camada de sorriso nos olhos: — O que foi?
Rebeca não respondeu, apenas levantou a mão para traçar a linha proeminente de suas sobrancelhas.
Ele tinha a testa alta, fazendo seus olhos parecerem profundos.
Um par de olhos que faria até um cachorro se sentir amado.
— Bêbada? — Samuel sentiu o leve cheiro de álcool vindo dela.
Rebeca balançou a cabeça, negando: — Não estou bêbada. Você sabe que eu aguento bem a bebida.
Ao ouvir isso, Samuel sorriu, sem jeito: — Pelo jeito, bebeu bastante.
— Não. — Respondeu ele, sério.
— Então por que quando eu bebi achei azedo?
Samuel ficou pensando se ela estava bêbada e falando bobagem.
Aí ele ouviu Rebeca continuar: — Talvez o que esteja na minha boca é que seja azedo, você quer provar?
O pomo de adão dele apertou de novo, e ele semicerrou os olhos para ela.
Rebeca viu o reflexo de suas bochechas rosadas nas pupilas claras dele.
— Você está me seduzindo?
— E você morde a isca?
— Mordo!
Mesmo que ela não tivesse posto isca, muito menos anzol.
Ele se jogaria de bom grado na isca dela.
Ela encontrou o olhar dele.
Os olhos dele eram como redemoinhos negros que poderiam engolir alguém inteiro.

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