E como elas vinham justamente atraídas pela beleza masculina, com uma "beleza excepcional" daquelas ali, nenhum outro homem era mais capaz de chamar atenção.
Algumas mais ousadas iam direto pedir o contato dele.
Samuel rejeitou todas.
Ao notar isso, Rebeca começou a olhar frequentemente na direção dele.
E cada vez que olhava, acabava encontrando o olhar dele.
Ela desviava o olhar de novo, com a consciência pesada.
Com tantas tentativas, uma hora ia dar ruim.
Não se sabe qual foi a vez em que ela ergueu a cabeça para olhá-lo e deu de cara com o olhar de Helena.
Helena havia se intrometido agressivamente, esticando a cabeça bem longe.
Ainda bem que ela tinha um pescoço longo, caso contrário, jamais conseguiria fazer uma manobra tão difícil.
Ela estreitou os olhos para Rebeca, com a frase "te peguei no flagra" estampada no rosto.
Rebeca desviou o olhar, tentando esconder a culpa fingindo beber água.
Mas Helena não era tão fácil de enganar. Endireitou o corpo, cruzou os braços: — Confessa logo, o que está acontecendo? Por que você não estava aqui nem há dez minutos e o Samuel já apareceu?
— Não me venha dizer que não tem nada a ver com você!
Rebeca: — ...Talvez tenha sido uma coincidência.
Helena bufou, puxando de leve o canto da boca: — Como pode haver tantas coincidências assim? Você acha que eu vou acreditar nessa besteira?
— A Cidade R é tão grande, com uma população de trinta milhões, a chance de se esbarrarem é quase zero, essa desculpa é ridícula.
Ridícula?
Mas antes ela sempre esbarrava com Samuel... e Beatriz Luz.
Seja em compromissos, participando de cúpulas, indo buscar investimentos, e até os projetos de incubação eram do mesmo tipo.
Nem falo na mesma cidade, até quando iam para fora esbarravam neles.
Naquela época, ela também achava ridículo.
Mas era a pura verdade.
Ele perguntou a Rebeca se ela se lembrava.
Rebeca realmente se lembrava: — Naquela época, eu ainda era a secretária-chefe da FinVerde, encarregada de organizar o banquete de comemoração deles. O Diretor Paz foi um dos convidados. Na ocasião, eu não usei vestido de gala, e sim um traje profissional, o que, sem querer, marcou o Diretor Paz. Por isso, na segunda vez que procurei ele em busca de investimento, ele lembrou de mim e me deu uma chance.
Na verdade, daquela vez, o vestido de gala que ela havia preparado com tanto cuidado foi pego por Samuel para dar a Beatriz Luz.
Ele pegou aquilo com o qual ela mais se importava, para agradar a outra mulher.
Essa era uma espinha encravada no seu coração.
E como essa espinha, havia muitas, muitas outras.
Durante esse tempo após o reencontro, ela de vez em quando conseguia arrancar algumas.
Mas, no fim, ainda não as havia arrancado por completo.
Ela nem sabia se haveria um dia em que conseguiria tirá-las de vez.
Por isso, quando Samuel lhe pediu um status na relação, ela não respondeu.
O Diretor Paz esperou ela terminar de falar, balançando a cabeça com um sorriso: — Não foi só pelas razões que você disse, teve um outro motivo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta