Percebendo que havia falado demais, Helena inventou uma desculpa qualquer: — Quando estávamos na ilha, o Edivaldo não ia nadar todo dia? Com as flores tão lindas, se eu não admirasse, pareceria que eu não entendo de romance, não é?
A desculpa realmente fazia sentido.
Rebeca não suspeitou.
Helena estava começando a ficar entediada quando, pelo canto do olho, viu uma figura familiar entrar pela porta.
Logo em seguida, uma voz conhecida também soou.
Assim que Rui Passos entrou, ficou chocado com a cena lá dentro, sua voz inevitavelmente se elevando: — Samuel, desde quando você se interessa por esse tipo de restaurante de homens bonitos?
De tão longe, ligou para ele de propósito, dizendo que pagaria um jantar.
Mas acabou o trazendo para um restaurante de homens sensuais?
Será que Samuel teve o coração tão partido por Rebeca que, desiludido, mudou de orientação sexual?
Ele estava quebrando a cabeça tentando pensar em palavras de conforto.
Quando foi calado por um olhar frio de Samuel.
Rui esfregou o nariz.
Tudo bem, a orientação sexual do Samuel não era o problema.
Então o que vieram fazer aqui?
Espera...
Rui então olhou apavorado para Samuel: — Não, Samuel, não é porque eu não tenho namorada que você deve desconfiar da minha orientação! Eu sou cem por cento hétero, ok?!
Ele só não queria se prender a uma única árvore ruim, qual era o problema?
— Te chamo pra comer e você ainda fala tanto! — Samuel estava com tanta aversão que nem se deu ao trabalho de olhá-lo, procurando sozinho um lugar para se sentar.
Eles estavam separados de Rebeca por apenas uma mesa.
A distância era tão curta que Rebeca mal conseguiria ignorá-los mesmo se quisesse.
Nesse momento, Rui também viu Rebeca, paralisou por um instante e logo entendeu a situação.
Acontece que eles vieram por causa da diretora Ribeiro.
Ele até cumprimentou Rebeca educadamente: — Boa noite, diretora Ribeiro.
Rebeca: "???"
Que raio de forma de tratamento é essa?
Ela ficou alternando olhares desconfiados entre ele e Rebeca.
Rebeca estava se sentindo tão desconfortável com a encarada que ergueu os olhos, pronta para lhe dar um aviso.
No entanto, no instante em que seus olhos se encontraram, os cantos da boca dele se curvaram e ele sorriu para ela com a expressão mais inofensiva do mundo.
Até o olhar de advertência de Rebeca suavizou.
O rosto perfeitamente esculpido de Samuel estava quase todo escondido na penumbra das luzes do restaurante.
Seus olhos sorriam ao olhar para ela.
O rosto de Samuel era, sem dúvida, bonito.
Como Tereza Alves havia descrito antes.
Dormir com ele já era lucro.
E naquele momento, até a iluminação parecia favorecê-lo.
Mesmo com o restaurante iluminado de neon, cheio de barulho e agitação, nada abalava seu charme.
Mais de noventa por cento dos clientes desse restaurante eram mulheres.

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