As sobrancelhas de Samuel deram um leve salto. Mas sua resposta veio sem o mínimo de hesitação.
— Quero.
Quero muito.
Aquele quase beijo no quarto de hospital, que ficou suspenso em uma penumbra cheia de tensão, o atormentou por muito tempo.
A pergunta dela foi como a faísca que riscou o palito, incendiando tudo dentro do peito dele.
Um brilho astuto passou pelos olhos de Rebeca.
— Mas eu acabei de comer durião, e esse é o cheiro que você mais detesta no mundo. — disse ela, de propósito.
Percebendo a provocação da mulher, Samuel riu pelo nariz, achando graça.
Ela tinha o dom de deixar o coração dele preso na garganta, sem descer e sem subir.
Ele realmente odiava o cheiro do durião.
Mas...
E daí?
Mesmo que ela estivesse coberta de durião da cabeça aos pés, ele beijaria do mesmo jeito.
A sensação de vitória de Rebeca não durou nem dois segundos antes de ela ser engolida pela escuridão intensa no olhar do homem.
Quando finalmente percebeu o perigo e quis recuar, já era tarde demais.
Como um caçador de elite, ele travou a mira na presa e deu o bote de forma implacável.
Antes que ela pudesse fugir, ele avançou a mão com firmeza, segurando a nuca de Rebeca, e tomou seus lábios num beijo possessivo.
Rebeca fechou a boca instintivamente.
Mas a força dele era absurda.
Sua mão esquerda apertou o queixo dela de leve. Apenas com esse movimento, ele invadiu sua boca sem qualquer dificuldade.
Rebeca soltou um pequeno som abafado contra os lábios dele.
E aquele gemido tão sutil foi como um afrodisíaco direto nas veias de Samuel.
Fazendo-o perder o restinho de controle que ainda tinha.
Quem brinca com fogo acaba se queimando.
Foi o último pensamento claro de Rebeca antes de sua sanidade ser completamente arrebatada.
Presa na gaiola dos braços dele, o coração dela batia de forma enlouquecida.
Após a primeira onda de fúria e tempestade, o beijo começou a se tornar mais gentil.
Samuel provou seus lábios, sugando-os com uma delicadeza envolvente e afetuosa.
E, toda vez que ela tentava se afastar, ele voltava a ser violento.
Ela simplesmente não tinha o direito de escolha.
Samuel Batista já não estava satisfeito apenas com isso.
Ele queria dominá-la por inteiro.
Mas Samuel Batista foi mais rápido e puxou Rebeca para o seu lado.
Helena tentou segurá-la no ar e errou. Ao perceber o que ele fez, lançou um olhar mortal na direção de Samuel.
— Vai se desinfetar primeiro. — disparou o homem.
Os olhos de Helena quase saltaram das órbitas.
Ela parecia algum tipo de bactéria ambulante, por acaso?
Desinfetar?!
Rebeca também achou que Samuel estava sendo exageradamente chato.
Até porque, ela é que era a pessoa infectada da casa, não a amiga!
Se alguém precisava se proteger, era Helena.
Mas Samuel Batista não via a coisa por esse ângulo. Sua voz soava cheia de nojo.
— Ela está doente e com a imunidade baixa. Deus sabe que tipo de sujeira você trouxe da rua para dentro dessa casa.
O rosto de Helena era uma grande interrogação.
Esse cachorro infeliz estava achando que era o dono da casa agora?
Rebeca soltou a mão de Samuel, defendendo sua amiga fielmente.
— Não seja rude com ela.

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