Logo depois, um cheiro familiar e ao mesmo tempo estranho a envolveu.
Os movimentos dele foram muito suaves, com um cuidado precioso, como se ela fosse feita de vidro.
— Pode dormir. — a voz dele soou baixa, quase um sussurro rouco, mas tocou a consciência turva dela como a pena mais macia. — Eu estou aqui.
Envolvida por aquela presença reconfortante, os nervos tensos de Rebeca foram relaxando aos poucos.
Fazia muito tempo que ela não dormia tão bem.
Não que andasse tendo pesadelos antes.
Mas, nas outras noites, sua cabeça não parava de girar com os problemas do trabalho.
Ontem, no entanto, ela não pensou em nada. Por isso, dormiu tão profundamente.
Quando abriu os olhos, já eram sete da manhã.
E a primeira coisa que viu foi aquele rosto perfeito, perto demais, o que a fez dar um sobressalto.
Havia duas camas naquele quarto, mas, por algum motivo, os dois estavam dividindo a mesma.
A cama era larga, mas eles estavam encolhidos de um lado só, colados um no outro.
Tão perto que suas respirações se misturavam.
Havia uma tempestade de emoções intensas e inebriantes fervilhando nos olhos dele.
Como se, com apenas mais um segundo de contato visual, ela fosse engolida por aquilo.
Rebeca desviou o rosto rapidamente e empurrou o peito dele com a mão.
— Preciso levantar.
— Ainda é cedo. Dorme mais um pouco. — a mão dele segurou a cintura dela com firmeza.
Mesmo sem usar muita força, ela não conseguiu se soltar.
Ao contrário, durante a pequena luta para se afastar, ela sentiu, de forma muito clara, uma certa... agitação.
O corpo de Rebeca enrijeceu na hora. Ela não ousou se mover um milímetro.
O calor subiu para o rosto, tingindo suas bochechas e orelhas de um vermelho intenso.
Samuel era um homem no auge do vigor. Tendo a mulher que amava nos braços e vendo aquela reação dela, era impossível não se deixar levar pelos instintos.
Inconscientemente, ele abaixou a cabeça, roçando os lábios nos dela. Sua respiração estava ofegante, cheia de um autocontrole que estava por um fio.
No exato segundo em que ele ia aprofundar o beijo, Rebeca virou o rosto.
Os lábios dele acabaram tocando o pescoço dela, causando um arrepio incontrolável em sua pele.
A mente de Rebeca ficou em branco por um instante.
Movido pelo instinto, Samuel tentou avançar mais.
Mas, no momento crítico, Rebeca escorregou da cama.
Como uma sombra.
— Ele está ocupado. — Samuel respondeu.
Depois do que aconteceu da última vez, Samuel já tinha deixado tudo armado para Rui.
Àquela altura, o coitado devia estar sendo encurralado pela NINA. Não teria tempo para ele.
— Então vou ligar para a Catia. — Rebeca recuou um passo.
— Meu pai não tem passado bem ultimamente. A Catia está cuidando dele.
— Então eu contrato um cuidador para você. — ela recuou mais um passo.
Samuel fez uma pausa antes de falar, a voz mansa:
— Não precisa. Se você estiver muito ocupada, pode ir. Não precisa se preocupar comigo. De qualquer forma, estou no hospital. Não vou morrer.
Rebeca não teve resposta para isso.
— ...
Foi um xeque-mate.
No fim, ela acabou ficando.
Passou o dia resolvendo as coisas do trabalho pelo notebook enquanto cuidava dele.

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