Como de costume, a histeria de Fernanda Diniz não arrancou nenhuma reação de Calel Lacerda.
A única resposta que recebeu foi o silêncio que preenchia o quarto.
Naquela noite, Fernanda dormiu sozinha na imensa suíte principal. Passou a noite inteira em claro.
Na manhã seguinte, ela acordou bem cedo. Entrou na cozinha, um lugar que não frequentava há tempos, e preparou um café da manhã farto.
Assim que Calel e a filha levantaram, ela se apressou em recebê-los com um sorriso caloroso, chamando-os para comer.
Ao vê-la, a menina instintivamente se encolheu, escondendo-se atrás de Calel.
Ele a protegeu de imediato. Em seguida, lançou um olhar gélido para Fernanda.
— Não precisa. Coma você mesma. — disse ele.
— Eu acordei super cedo de propósito para fazer isso. Só tem as coisas que vocês gostam. — o tom de Fernanda soava quase suplicante.
Mas Calel não cedeu. Apenas respondeu seco:
— Yara vai se atrasar para a escola. Vou levá-la para o jardim de infância primeiro.
Fernanda se desesperou.
— Então eu embalo tudo para vocês comerem no caminho!
Sem esperar resposta, ela correu para a cozinha.
Mas, quando voltou apressada com os pacotes, pai e filha já haviam partido.
Tomada pela frustração, ela jogou todo o café da manhã, que levou horas preparando, direto no lixo.
Às dez da manhã, assim que Fernanda pisou na empresa, a secretária avisou que o Diretor Lacerda queria vê-la.
Ela deixou a bolsa em sua mesa e caminhou até o escritório de Calel. O rosto mantinha uma falsa calma.
— Mandou me chamar?
— Isso é para você. — Calel empurrou o acordo de divórcio sobre a mesa, bem na frente dela.
Ao ler o título do documento, a expressão de Fernanda desmoronou.
Uma discussão explosiva tomou conta do ambiente.
A empresa inteira, toda a Cora.AI, conseguiu ouvir os gritos.
Calel havia acabado de quebrar o primeiro troféu de peso que conquistou em sua carreira.
Ele sempre guardara aquele prêmio como um tesouro.
Mas agora, os cacos estavam espalhados aos pés de Fernanda.
Ela tremia, assustada.
— Se você não tivesse me dopado anos atrás, eu nunca teria ido para a cama com você! — gritou ele, com os olhos injetados. — Guardei esse segredo todos esses anos. Nunca contei a ninguém. Mantive a sua dignidade intacta e assumi a minha responsabilidade como marido. Fiz o impossível para atender a todas as suas exigências, tanto em casa quanto na empresa. E você... Você nunca está satisfeita!
— Sim, eu admito! Eu gostava muito da Rebeca Ribeiro. Mas esse sentimento foi enterrado por mim mesmo no dia em que você me armou aquela armadilha! Porque eu sabia que nunca mais teria o direito de gostar dela nesta vida.
— Quando nos casamos, eu deixei claro: só precisávamos viver em paz. Mas a sua ganância nunca tem fim!
Os olhos de Fernanda se encheram de lágrimas.
— Eu só... eu só não me sentia segura...
— Chega de desculpas! Eu me casei com você. Te dei o controle da empresa. Coloquei todo o patrimônio da família no seu nome. Que tipo de segurança mais você queria? Isso tudo não foi o suficiente?
— O seu problema é querer competir com a Rebeca em tudo! Mas com que moral você quer se comparar a ela? Visão, inteligência, formação, classe, caráter... Você não ganha dela em absolutamente nada! E quando percebe que não chega aos pés dela, vem infernizar a minha vida! Eu não aguento mais!

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