Dois dias depois de lançar essa promessa ao universo, Helena Castro realmente deu de cara com ele.
Durante seu tempo na Cidade R, ela havia ficado na casa de Rebeca Ribeiro.
Na verdade, ela queria ir para um hotel, mas Rebeca Ribeiro a proibiu.
Incapaz de contrariar sua "patrocinadora", ela obedeceu quietinha e ficou morando lá.
Nos últimos dois dias, Rebeca Ribeiro tinha viajado a trabalho. Entediada, Helena decidiu dar uma corrida noturna.
Principalmente porque a comida andava boa demais e a rotina certinha demais, o que lhe rendeu um centímetro a mais na cintura.
Para uma pessoa normal, um centímetro não era nada. Mas para uma artista, era o fim do mundo.
Ela não queria ficar gorda e feia antes mesmo de oficializar o divórcio.
Se isso acontecesse, Filipe Cruz ia soltar o veneno dele e dizer: 'Olha só, me deixou para ficar com essa cara de acabada. O que você vai fazer agora?'
Ela precisava mostrar para o idiota do Cruz que Helena Castro vivia muito bem sem ele!
A rota de corrida escolhida por Helena Castro ficava logo abaixo do condomínio, ao redor do parque ecológico, onde o ar e a paisagem eram ótimos.
Como era um condomínio de alto padrão, não havia muita gente por lá.
Usando fones de ouvido, Helena Castro deu três voltas completas. Na quarta volta, pelo canto do olho, percebeu que havia alguém encostado na grade.
E havia outro homem ao lado, tentando puxá-lo.
Ao ver a cena, a imaginação de Helena Castro correu solta.
Suicídio!
De jeito nenhum!
Se alguém se matasse num condomínio de luxo daqueles, o valor dos imóveis ia despencar!
Prejuízo para a amiga significava prejuízo para ela. Ela precisava impedir!
Então, Helena Castro arrancou os fones e saiu correndo na direção deles.
— Ei! É proibido cometer suicídio aqui!
Assim que se aproximou, ela reconheceu os dois homens.
O mundo era mesmo um ovo!
Ele tinha ignorado o caminho livre para o paraíso e decidido arrombar as portas do inferno!
Rui Passos também reconheceu Helena Castro.
— Você não é a melhor amiga da Rebeca Ribeiro?
Afinal, se ela dissesse a coisa errada, no mínimo passava fome e ficava sem jantar.
No pior dos cenários, levava uma surra.
Mas por Rebeca Ribeiro, ela era capaz de peitar os céus e a terra.
A expressão de Samuel Batista naquele momento não era nada boa.
Estando com o rosto fechado, sua presença ganhava uma aura de fúria avassaladora.
Era realmente a primeira vez que alguém gritava com ele daquela forma.
Mas ele só podia engolir a seco.
Porque ela era a melhor amiga de Rebeca Ribeiro.
E porque ele sabia que, no coração de Rebeca Ribeiro, aquela mulher era mais importante do que ele.
Tão importante que ele não ousava murmurar uma única palavra de defesa.
Percebendo que a situação estava feia, Rui Passos tentou acalmar Helena Castro.
— É um assunto dos dois. Você é de fora, não se intrometa. A situação não é bem assim como você está falando. O Samuel tem seus motivos ocultos.

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