Assim que Samuel Batista voltou para casa, levou a mão ao bolso do casaco por puro hábito, querendo anotar o encontro inesperado com Rebeca Ribeiro.
Porém, revistou todos os bolsos e não encontrou o caderno.
Ele desceu correndo para procurá-lo no carro, mas não havia sinal do objeto em lugar nenhum.
Ele não tinha ido a nenhum outro lugar naquele dia, apenas à lanchonete. A única possibilidade era ter deixado lá.
Na hora, ele tinha terminado de comer e saído apressado, com medo de que Rebeca Ribeiro dissesse alguma coisa.
Ou de que ela achasse que ele aparecera ali de propósito só para irritá-la.
Por ter saído com tanta pressa, acabou não prestando atenção no caderno.
Samuel Batista voltou imediatamente para a Corda de Palmeira.
Havia um pouco de trânsito àquela hora, e quanto mais ele esperava, mais ansioso ficava.
Por fim, simplesmente estacionou o carro em uma vaga na beira da rua e correu até a lanchonete, acompanhando um grupo de crianças que voltava da escola pela faixa de pedestres.
Quando chegou, o local estava cheio de clientes.
O dono corria de um lado para o outro para atender a todos.
Como a dona tinha saído para buscar os filhos na escola, ele estava sobrecarregado.
Quando Samuel Batista entrou, o homem pensou que fosse mais um cliente e estava prestes a cumprimentá-lo.
Mas, ao reconhecer seu rosto, perguntou surpreso:
— Você não acabou de comer aqui? Por que voltou?
Samuel Batista perguntou, ofegante:
— Acho que esqueci um caderno aqui na sua lanchonete. Você o viu?
E descreveu:
— É preto, do tamanho da palma da mão.
O dono balançou a cabeça.
— Não vi, não.
Ao ouvir isso, Samuel Batista ficou desesperado.
— Eu só vim aqui hoje, não fui a mais nenhum lugar. Tem que estar aqui. Pode tentar se lembrar, por favor?
Mas o dono continuou confuso:
— Realmente não vi. Se tivesse visto, com certeza te falaria. Pela sua descrição, deve ser bem pequeno, talvez tenha caído em outro lugar.
O homem estava muito ocupado e não tinha tempo de conversar com Samuel Batista.
Samuel Batista procurou por toda parte, mas não encontrou nada.
— Tá bom, vá descansar você também.
Klara Rocha terminou de falar e olhou para a sala.
Estava vazia.
Parecia que Rebeca Ribeiro não estava.
Mas ela estava acostumada, presumindo que a filha tinha ido fazer hora extra na empresa de novo.
Afinal, sua filha era viciada em trabalho.
Helena Castro pensou o mesmo. Desejou boa noite a Klara Rocha e foi para o quarto se lavar.
Após um dia tão cheio, deitou-se na cama e, surpreendentemente, não conseguiu dormir.
Seu coração estava vazio, como se faltasse alguma coisa.
Rolou de um lado para o outro por um bom tempo até que pulou da cama. Saiu do quarto na ponta dos pés e subiu até a adega de Rebeca Ribeiro para pegar uma bebida.
A casa onde Rebeca Ribeiro morava agora era uma cobertura duplex de alto padrão, um apartamento imenso de um andar e meio.
O andar de cima era composto por salas funcionais.
Tinha escritório, adega, jardim de inverno, sala de reuniões e uma área de ginástica com um espaço para chá.
Praticamente o escritório particular de Rebeca Ribeiro.

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