Helena Castro ficou profundamente decepcionada.
— Como assim 'foi quase a mesma coisa'? A força foi a mesma? As posições foram as mesmas?
— Como a sensação entre um homem e outro pode ser quase a mesma coisa?
— Tem que ter diferença no tamanho, na grossura, não tem?
Rebeca Ribeiro rapidamente esticou a mão para tapar a boca dela.
Estava morrendo de vergonha!
E ela realmente achava que tinha sido quase a mesma coisa.
Talvez porque estivesse tão fora de si na época que, por um momento, até confundiu o cara com Samuel Batista.
Lembrando disso depois, ela concluiu que, como tinha acabado de terminar o namoro e ainda não tinha superado o trauma, sua mente confusa fez a projeção.
Afinal, todas as suas experiências sexuais vinham dele.
Ao ter certeza de que Helena Castro não soltaria mais nenhum absurdo em voz alta, Rebeca Ribeiro finalmente tirou a mão da boca dela.
Helena Castro estalou a língua, suspirando.
— Você transou com o vento, isso sim.
Rebeca Ribeiro ficou calada.
Quando a comida chegou, a atenção de Helena Castro voltou-se inteiramente para os marombas vestindo apenas aventais.
Rebeca Ribeiro soltou um suspiro de alívio disfarçado.
Embora fosse uma visão rara de se ter no dia a dia, assim que a novidade passou, Helena Castro começou a ficar entediada.
Ela comia e avaliava os homens, como se fosse uma jurada.
— Aquele bombado ali na direita, puro músculo e nada de ação. O dote deve ser minúsculo.
— Aquele ali, só de olhar já sei que não dura dois minutos.
— O do meio ali dá muita pinta. Vibe total de gay.
Depois de criticar um por um, ela soltou um longo suspiro.
— Acredita que eu acho nenhum deles mais bonito que o Samuel?
— Cof, cof, cof... — Rebeca Ribeiro engasgou de novo.
Helena Castro entregou um guardanapo para ela.
— Por que você ficou tão nervosa? Só estou elogiando o seu bom gosto. Claro, apenas para o visual, porque o caráter a gente joga no lixo.
Um verdadeiro canalha!
Rebeca Ribeiro concordou.
— Nisso você tem razão.
As duas tinham muita sintonia quando o assunto era xingar homens.
Do outro lado.
No Clube Encanto.
— Atchim!
Samuel Batista espirrou várias vezes seguidas.
Rui Passos perguntou, preocupado:
— Pegou um resfriado?
Ele parecia um lago de águas mortas, tranquilo na superfície, mas apodrecendo lentamente por dentro.
Quem respondeu à pergunta de Erick Paz foi Rui Passos:
— Mal.
Estava muito mal.
Péssimo.
Erick Paz não perguntou por que Samuel Batista estava mal.
Eles eram adultos, cada um tinha seus próprios problemas.
Israel Passos foi o último a chegar. Quando ele entrou, Samuel Batista já estava recostado no sofá, de olhos fechados.
Ninguém sabia se ele estava dormindo de verdade.
Com uma revista cobrindo o rosto, era impossível ter certeza.
Israel Passos também virou três doses de punição.
Rui Passos comentou, saudoso, que fazia muito tempo que eles não se reuniam todos juntos. O clima estava diferente, nostálgico.
No meio da conversa, bateram na porta da sala privativa. Rui Passos achou que fosse um garçom do clube e mandou entrar.
Uma mulher com feições muito delicadas e elegantes entrou.
Naquele primeiro segundo, Rui Passos ficou em choque.
Ele quase a chamou de Rebeca Ribeiro.
Mas, quando a mulher parou sob a luz, ele percebeu que não era Rebeca Ribeiro.

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