Rebeca levantou da cama para procurá-lo, mas antes de encontrá-lo, seu celular tocou.
Era o advogado, dizendo que precisavam repassar alguns detalhes antes do julgamento.
A audiência pela guarda de Flora aconteceria no dia seguinte. O tempo era curto e Rebeca não podia se dar ao luxo de pensar em outra coisa.
Ela voltou ao quarto, pegou o casaco e se preparou para sair.
Antes de cruzar a porta, hesitou por um segundo. Pegou papel e caneta, deixou um bilhete para Samuel e saiu apressada.
Até então, era Cassio Almeida quem estava lidando com o caso da guarda, então Rebeca não conhecia todos os detalhes.
A reunião durou até a tarde.
Ela sequer teve tempo de convidar o advogado para almoçar, despediu-se às pressas e correu de volta ao hospital.
Mas assim que chegou à entrada, deu de cara com repórteres.
Os jornalistas da Cidade H sempre foram obcecados por fofocas e cercaram Rebeca com uma enxurrada de perguntas.
Por causa do processo da guarda de Flora, eles tinham uma narrativa muito bem ensaiada para o público.
Por exemplo, precisavam demonstrar que o relacionamento dela com Cassio era perfeito, para aumentar as chances de ganharem a guarda.
Todas as respostas já haviam sido previamente roteirizadas, e Rebeca as entregava com naturalidade.
Um repórter perguntou:
— A Srta. Rocha parece exausta. É por preocupação com o Sr. Almeida?
— Claro que me preocupo. Afinal, ele é meu noivo. Cancelei todos os meus compromissos no interior para vir cuidar dele.
Outro repórter insistiu:
— E quando vocês pretendem se casar?
Rebeca ajeitou o cabelo atrás da orelha, exibindo de forma sutil o anel de noivado, e respondeu com um sorriso doce:
— Assim que tivermos boas notícias, avisaremos a todos.
O jornalista ainda brincou:
— Com um amor tão lindo assim, o casamento deve estar perto.
Rebeca não negou a afirmação.
Como ela transparecia estar muito aflita por Cassio, os jornalistas não a seguraram por muito tempo.
Rebeca realmente encomendou uma refeição especial para Cassio.
Mas, na verdade, ela encomendou duas.
A de Cassio foi feita estritamente de acordo com as recomendações médicas.
A de Samuel, no entanto, foi feita com base nos gostos dele.
Samuel odiava mastigar gengibre, mas amava o sabor dele. Então, Rebeca pediu ao nutricionista que temperasse o prato apenas com o caldo do gengibre, sem os pedaços.
Ao dar essa instrução, a própria Rebeca ficou paralisada por um instante.
Ela não esperava que, mesmo depois de tantos anos, ainda se lembraria das preferências dele com tantos detalhes.
Certas memórias que estavam enterradas há muito tempo voltaram à tona por causa de um simples e impensado gesto.
Quando Rebeca entrou no quarto com o caldo de frutos do mar nas mãos, ouviu a enfermeira dando uma bronca em Samuel.
— O soro nem acabou ainda, por que você está arrancando o acesso da veia? Você perdeu o amor à vida?
Na cama, Samuel pressionava as costas da mão direita com a esquerda, enquanto gotas de sangue escorriam pelos seus dedos.

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