Pelo menos, ela era a sua esposa legítima.
Pelo menos nisso, Rebeca Ribeiro nunca poderia superá-la.
O que ela jamais previu era que Israel Passos seria quem pediria o divórcio.
Ela fez escândalo, gritou, chorou, implorou... Mas nada foi capaz de fazê-lo recuar.
Ele estava absolutamente irredutível. A separação era definitiva.
A ponto de estar disposto a abrir mão de todas as parcerias entre a Banka e a família dela, sacrificando lucros gigantescos para ficar livre.
Com os olhos injetados e marejados, Mariah encarava Rebeca com um ódio puro e fulminante.
— Pare de se fazer de sonsa na minha frente. Não ache que eu não sei...
— Mariah Cavalcanti!
A voz gélida de Israel cortou o corredor logo atrás dela.
A fala de Mariah travou na mesma hora. Era como se uma bola de algodão molhado entalasse na sua garganta, engolindo qualquer som.
Israel cobriu a distância com poucos passos largos. Olhou para ela de cima a baixo, com a voz carregada de gelo:
— Vou pedir ao motorista para te levar para casa.
Mariah tentou resistir.
Ela tinha ido até lá para propor uma trégua.
Queria deixar bem claro que não aceitava o divórcio. Que queria ter um filho com ele.
Na sua cabeça, uma gravidez seria a corrente perfeita para impedir que ele a deixasse.
Momentos antes, dentro do escritório dele, ela se despiu e se jogou em seus braços.
Israel, porém, a repeliu com um distanciamento brutal.
Aquilo foi a pior das humilhações. Crescida como a princesa da família, ela sempre teve o mundo aos seus pés.
O único lugar onde se esborrachava na lama repetidamente era ao lado de Israel.
Foi por isso que saiu do escritório correndo, em prantos e arrasada...
Só não esperava esbarrar logo na mulher que mais odiava.
Ver a sua maior rival ali, prestes a encontrar com ele, destruiu qualquer rastro da sua sanidade.
— Eu não vou. — Mariah agarrou a manga do paletó de Israel, com tom de súplica. — Meu amor, eu não quero ir para casa.
— Mariah Cavalcanti, já te disse tudo o que tinha que dizer. A partir de agora, qualquer assunto você resolve com os meus advogados. — Israel puxou o braço, dando meio passo para trás.
A crueldade seca da frase paralisou o corpo da mulher.
O chão sob seus pés ruiu de vez.
O último resquício de esperança que brilhava em seus olhos foi impiedosamente esmagado.
O peito de Israel apertou de um jeito incômodo.
Se ela enviasse por e-mail, significava que não pisaria mais ali. Não haveria outra chance de se encontrarem.
Com a conversa encerrada, Rebeca não fez questão de prolongar a estadia e virou-se para partir.
Israel a chamou abruptamente.
As palavras que engoliu durante anos rasparam na sua língua antes de finalmente saírem:
— Eu e a Mariah vamos nos divorciar.
Rebeca virou para encará-lo com total desprendimento. Não havia nenhum traço de empatia no seu olhar. Parecia estar escutando a previsão do tempo.
— Se eu...
Rebeca ergueu o pulso e checou o relógio.
— Sinto muito, Israel, mas estou atrasada. Se for para batermos papo, fica para uma próxima oportunidade, tudo bem?
Ela não esperou por uma resposta. Simplesmente girou nos calcanhares e saiu apressada.
Israel ficou plantado no mesmo lugar, paralisado por um longo tempo.
Aquela confissão, assim como o velho e-mail enviado tantos anos atrás...
Mais uma vez, tropeçou na falta de sincronia do destino.

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