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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 821

Só depois que Rebeca Ribeiro desapareceu pelo corredor, Rui virou a esquina e olhou para o homem encostado na parede, a poucos metros dali.

— Samuel...

Metade do rosto de Samuel Batista estava oculta pelas sombras, escondendo a expressão de seus olhos.

Mesmo assim, Rui podia jurar que ele estava sofrendo. Como se enfrentasse uma tempestade sem fim dentro de si.

Depois de um longo silêncio, Samuel finalmente abriu a boca:

— Tem cigarro?

— Parei de fumar recentemente. Só tenho bala de menta, quer? — respondeu Rui.

Samuel pegou a bala, resignado.

O sabor gélido da menta derreteu devagar na boca, espalhando um frio que desceu da língua até a garganta.

Aos poucos, esse mesmo frio pareceu congelar seu coração.

Rui também jogou uma bala na boca, estalando a língua de vez em quando.

— Samuel, pelo que a Rebeca disse, o recado foi claro: se você continuar se escondendo, é melhor sumir da frente dela para sempre.

Aquilo era um ultimato brutal. Não podiam se ver, mas ele também não podia fugir. A situação era um inferno.

Samuel continuou em silêncio absoluto.

Rui limitou-se a ficar ali, fazendo companhia.

Jason havia avisado que, no estado emocional atual de Samuel, não deveriam deixá-lo sozinho.

Sem ter o que fazer, Rui pegou o celular para matar o tempo.

Mas, enquanto rolava o feed, sua testa franziu e ele murmurou, incrédulo:

— Mas que diabos deu no Israel? Como assim ele vai se divorciar? Quanto tempo faz que ele casou?

De repente, um estalo seco soou ao seu lado.

Foi o barulho da bala de menta sendo violentamente triturada pelos dentes de Samuel.

...

Depois de sair do hospital, Rebeca foi direto para a sede da Banka.

A Banka era uma das investidoras originais da VerdaVita.

No entanto, ao longo dos anos, sua participação acionária vinha sendo diluída sistematicamente. Hoje, o percentual era quase nulo.

Mesmo assim, Rebeca mantinha um profundo respeito pela empresa. Afinal, sem aquele primeiro aporte financeiro da Banka no passado, a VerdaVita não estaria onde estava agora.

Antes do casamento, o pai dela havia feito uma investigação sigilosa. Ele a avisara sem rodeios que Israel já era apaixonado por outra mulher.

Uma mulher chamada Rebeca Ribeiro.

Mas Mariah era jovem demais na época. Cega por uma paixão avassaladora, ela caiu na armadilha de Israel, recusando-se a ouvir qualquer conselho.

Estava transbordando de autoconfiança, jurando que apagaria Rebeca Ribeiro da memória dele e se tornaria a mulher de sua vida.

A realidade, porém, desferiu um tapa violento em sua cara.

Ela desperdiçou cinco anos da sua juventude lutando por Israel e, no fim, não ganhou absolutamente nada.

Tinha a certeza de que ele nunca a amou. Nem por um único segundo.

No dia do noivado de Rebeca, Israel encheu a cara até quase perder os sentidos. Na frente dela, ele murmurou o nome de Rebeca, repetidas vezes, sem parar.

Mariah escutou tudo calada. Por fora, parecia anestesiada.

Mas por dentro, era como se uma faca cega a rasgasse e contorcesse suas entranhas até não sobrar nada além de carne em carne viva.

Acreditava que seu coração morreria de vez.

Mas o rancor era forte demais. Acabou se convencendo de que, se fosse para sofrer, amarraria Israel a ela para que passassem o resto da vida torturando um ao outro.

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