Rebeca Ribeiro havia agendado uma consulta médica para Klara Rocha naquele dia.
Há cinco anos, Klara Rocha passou por um transplante de rim.
Desde então, ela contratou profissionais para cuidar meticulosamente da rotina e da alimentação da mãe.
E os exames de rotina sempre foram mantidos rigorosamente em dia.
Em cada consulta, Rebeca Ribeiro cancelava todos os seus compromissos profissionais para acompanhá-la pessoalmente.
Os resultados foram ótimos, trazendo um alívio imenso para o coração de Rebeca.
Enquanto desciam para deixar o hospital, esbarraram em Catia, que andava a passos apressados.
Rebeca parou e a chamou.
— Catia.
Catia se virou e, ao reconhecer Rebeca, respondeu de imediato:
— Rebeca, o que você faz por aqui?
— Vim acompanhar minha mãe em uns exames de rotina. — explicou Rebeca.
Seu olhar pousou na sacola de refeição que Catia segurava, compreendendo a situação na mesma hora.
— O tio Marcos foi internado?
Catia suspirou.
— Pois é. A saúde do Sr. Batista tem piorado muito nos últimos anos. Ele acaba sendo internado umas cinco ou seis vezes por ano.
Rebeca hesitou por um momento. Estava em dúvida.
Pela lógica, ela deveria ir visitar o tio Marcos.
Mas...
Klara Rocha percebeu e tomou a iniciativa:
— Rebeca, vá ver o Sr. Batista. O Lopes pode me levar para casa.
Klara nunca esqueceu a ajuda que Marcos Batista lhes deu no passado e sabia o quanto ele havia apoiado a carreira da filha. Por isso, sugeriu a visita.
Por causa disso, passou os últimos meses sem sequer dar um telefonema a Marcos, muito menos para conversar sobre sua carreira.
Mas ele continuava sabendo exatamente o que acontecia na vida dela.
Obviamente, ainda a acompanhava de longe.
— Eu vim acompanhar minha mãe em uns exames. Encontrei a Catia na porta e só então soube que o senhor estava internado. Vim com tanta pressa que nem tive tempo de comprar uma cesta de frutas. — disse Rebeca, visivelmente sem graça.
Marcos abanou a mão, dispensando a formalidade.
— Você é uma mulher ocupada. Eu não me importo com essas bobagens. Além disso, são apenas problemas velhos de saúde. Venho parar aqui umas cinco ou seis vezes por ano, não faria sentido fazer alarde toda vez, não é?
Rebeca ficou conversando com Marcos por mais um tempo. Só se levantou para se despedir quando o médico entrou avisando que era hora da fisioterapia.
Ele pediu que Catia a acompanhasse até a saída. Rebeca recusou gentilmente e prometeu voltar para visitá-lo no dia seguinte.
— Se estiver atarefada, não precisa perder seu tempo vindo até aqui. — recomendou ele.
— Não estou. Sempre tenho tempo para o senhor. Descanse bem e cuide da sua saúde. — respondeu Rebeca.

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