O mundo parecia ter silenciado naquele instante.
Até o som da chuva tornou-se melancólico.
Rui Passos, muito perspicaz, enfiou o guarda-chuva na mão de Samuel Batista e correu para se abrigar no carro.
Samuel Batista segurou o guarda-chuva e caminhou passo a passo em direção a Rebeca Ribeiro.
Seu rosto, geralmente calmo e límpido, agora revelava uma tempestade interna.
A mão de Rebeca Ribeiro mal tocou a maçaneta da porta.
Samuel Batista falou antes que ela pudesse sair.
Provavelmente por não falar há muito tempo, sua voz soou tensa:
— Não desça. Está chovendo. Você vai se molhar.
Rebeca Ribeiro curvou os dedos e ergueu a cabeça para olhar o homem que estava tão próximo.
O céu escurecia, e a luz do poste incidia diagonalmente.
Samuel Batista permanecia na interseção entre a luz e a sombra.
Metade de seu rosto estava iluminada, a outra metade mergulhada na escuridão.
— Samuel Batista, qual é o seu problema? — Perguntou Rebeca Ribeiro, finalmente.
Havia impotência em sua voz, mas, acima de tudo, incômodo.
Ali era a propriedade da família Almeida.
Sua identidade atual era a de noiva de Cassio Almeida.
O comportamento de Samuel Batista era uma perturbação para ela.
Poderia até lhe trazer problemas, então ela precisava alertá-lo.
— Já jantou? — Perguntou Samuel Batista, ignorando o questionamento dela, com um tom suave.
Rebeca Ribeiro franziu a testa.
— Já fui bem clara no hospital. Acha que isso tem alguma graça?
Samuel Batista suspirou e falou com a voz rouca:
— Então me diga, o que devo fazer?
Ele não tinha mais opções.
Aquela mensagem de texto lhe dera a ilusão de esperança.
Mas ela se recusou a vê-lo e jogou fora o mingau de frutos do mar que ele preparara com tanto cuidado durante a noite.
Nem sequer parou quando passou por ele.
Ele estava realmente sem saída.
— Eu já disse, não faça coisas sem sentido.
— Com suas condições, você pode encontrar uma mulher melhor, mais jovem e excelente.

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