Rebeca Ribeiro foi honesta.
Ela olhou para Samuel Batista e disse com clareza:
— Já amei.
Uma faísca de esperança se acendeu no fundo dos olhos mortos de Samuel Batista.
— Então agora...
Ele não conseguiu terminar. Rebeca Ribeiro o interrompeu:
— Mas isso é passado. Eu já superei.
Essas palavras empurraram Samuel Batista de volta para o abismo.
Ela estava calma demais.
Do início ao fim, não houve um único sinal de comoção.
Naquele momento, Samuel Batista realmente não sabia o que fazer.
Parecia que ele tinha percebido tudo um pouco tarde demais.
Não, era tarde demais.
Anos atrás, quando viu Israel Passos dando flores para Rebeca Ribeiro, ele não se controlou e foi até o prédio dela.
O "parabéns" que estava na ponta da língua, impulsionado pelo ciúme, transformou-se em escárnio.
Mas Rebeca Ribeiro lhe disse que já havia pago tudo o que devia a ele.
No instante em que viu os olhos dela vermelhos, Samuel Batista quase desmoronou.
Quase disse aquela frase.
"Rebeca Ribeiro, eu me arrependi."
"Eu não vou mais me vingar."
"Vamos voltar a ser como antes, por favor?"
Mas era tarde demais para tudo.
Se ela disse que superou, é porque não ama mais.
Rebeca Ribeiro preparou-se para partir novamente.
Naquele momento, Samuel Batista teve uma sensação muito forte.
Se ele a soltasse agora, eles se tornariam linhas paralelas de verdade.
Nunca mais se cruzariam.
— Rebeca Ribeiro.
Ele a chamou urgentemente mais uma vez.
Uma sombra de impaciência surgiu no rosto de Rebeca Ribeiro.
Ela franziu a testa e olhou para ele.
— Então... você o ama? — Ele se referia a Cassio Almeida.
Rebeca Ribeiro apertou os lábios, desviou o olhar e disse:
— Amo.
— Não. Olhe nos meus olhos e responda a essa pergunta.


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