Talvez isso fosse o destino.
Assim como aquela ligação na noite do banquete da Hua Ying, anos atrás.
O desencontro é a prova da falta de destino.
Rebeca Ribeiro suspirou levemente e estava prestes a guardar o celular.
O telefone tocou novamente.
Era Samuel Batista retornando a ligação.
Desta vez, foi Rebeca Ribeiro quem foi pega de surpresa.
Ela não esperava que Samuel Batista retornasse tão rápido.
Provavelmente, ele pressionou o botão de chamar assim que a ligação caiu.
Rebeca Ribeiro atendeu, mas não sabia o que dizer.
A pessoa do outro lado também não falou nada.
A respiração pesada do homem chegava através do fone, com altos e baixos.
Mas, acima de tudo, era uma respiração urgente.
— Venha aqui fora para conversarmos.
Rebeca Ribeiro finalmente quebrou o silêncio.
Após dois segundos de silêncio do outro lado, Samuel Batista respondeu:
— Tudo bem.
E logo perguntou:
— Onde nos encontramos?
— Estou do lado de fora da sua casa. É só você sair.
Samuel Batista apertou o celular com força repentina.
A chamada já havia sido encerrada do outro lado.
Quando ele saiu, vestia apenas uma camisa social.
Mas ele não demonstrou nenhuma intenção de voltar para pegar um casaco.
Ele empurrou o portão do jardim e caminhou para fora.
Rebeca Ribeiro estava parada sob um poste de luz, a cinquenta metros do portão.
A luz amarela e quente alongava sua sombra no chão.
Samuel Batista parou a cinco metros de distância dela.
Tudo aquilo parecia irreal, como um sonho.
Samuel Batista nunca imaginou que teria esse dia novamente.
O dia em que poderia ficar diante dela, à luz de tudo e de todos.
Na despedida de cinco anos atrás, ele achou que realmente não haveria futuro para eles.
Os olhares se cruzaram.
Ninguém disse nada.
Samuel Batista viu apenas uma palavra nos olhos dela: serenidade.



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