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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 240

— Na foto estão a minha mãe e o meu pai. Só porque a minha mãe veio de família pobre, a família da Vanessa obrigou ela a esconder esse casamento por trinta anos. A verdadeira outra aqui é a senhora refinada que vocês conhecem como Sra. Vieira, a Vanessa! — Disparou Tábata.

As palavras explosivas de Tábata fizeram o salão inteiro ferver em cochichos.

Ninguém queria acreditar que o Cláudio, o homem que sempre tinha sido vendido como marido fiel, apaixonado e dedicado, tivesse sido capaz de algo tão sórdido. Ele tinha largado a esposa de juventude, tinha escondido filhos fora do casamento e, pior ainda, tinha internado a própria filha em uma clínica psiquiátrica só para encobrir o próprio escândalo.

Patrícia mal conseguia respirar de tanta dor.

— Não é assim… não foi assim. Não é… — Repetiu ela, quase num sussurro.

Vanessa chorava em silêncio ao lado, sem conseguir se defender.

Tábata tinha exposto tudo em público, sem dar chance para a família se recompor.

Heitor passou a mão no rosto, tomado de angústia. Ele não tinha imaginado que Tábata fosse chegar a esse ponto. Mas, mesmo que ele tivesse previsto, de que adiantaria? Eles viviam na era da internet e Tábata podia jogar tudo online quando quisesse. E, no fim das contas, o que ela dizia tinha fundo de verdade.

Naquele momento, se ele tentasse forçar uma nova internação dela, aquilo não teria mais efeito algum. Pelo contrário, só confirmaria a narrativa de perseguição que ela vinha repetindo.

Além disso, Ivo era marido dela. Ele podia tirá‑la da clínica quando bem entendesse. E Heitor, justamente para cortar qualquer vínculo com Tábata, já tinha deixado de ser responsável legal por ela havia tempo.

Uma louca e um canalha. Os dois, de repente, tinham agido em perfeita sintonia, pegando todo mundo de surpresa.

Foi nesse momento que Diana e Roberto chegaram às pressas.

Diana já tinha chamado a polícia, e os policiais cercaram Tábata, alegando perturbação da ordem pública.

Roberto, suspirando, ergueu a voz para falar com todos:

— Senhoras e senhores, por favor. Me deem um voto de confiança e escutem o que eu tenho pra dizer.

O burburinho foi diminuindo aos poucos. Roberto, quando tinha sido diretor no Grupo Mendes e presidente da associação comercial, tinha feito muitos contatos, sempre disposto a ajudar. Ele tinha peso na cidade. Muita gente ali devia favores a ele.

Além disso, ele tinha criado fundos de bolsas de estudo sem juros em várias universidades importantes, dentro e fora do país, o que aumentava ainda mais o respeito que todos tinham por ele.

No exterior, o nome de Cláudio podia até soar mais forte, mas ali, no chão daquela cidade, era Roberto quem carregava mais prestígio.

Roberto então falou:

— Ele me trancou à força num hospital psiquiátrico, deixou as outras internas baterem em mim todos os dias.

Depois, ela apontou para Diana:

— Ela mandou me arrastarem para uma sala de interrogatório, me torturou como se eu nem fosse humana.

Por fim, ela se virou para o caixão coberto de flores:

— E o Cláudio? Ele nunca se importou comigo. Eu sou filha de sangue dele, não sou mato na beira da estrada pra todo mundo pisar.

Naquele dia, ela tinha decidido que seria reconhecida como filha de Cláudio, quisesse ele ou não.

De repente, Tábata tirou de dentro da bolsa um saco cheio de tinta vermelha, cor de sangue, e o lançou contra o caixão.

A tinta espirrou, manchando o caixão branco de vermelho, estragando de vez a serenidade do velório.

Nem morto, o dono daquele corpo teve direito a um minuto de paz.

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