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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 362

Heitor avançou daquele jeito dominador, se enfiando entre as pernas de Patrícia, colando o corpo no dela.

Patrícia ficou um pouco sem graça. A van estava parada na garagem subterrânea, que, no fim das contas, ainda era um lugar público. E a porta do carro nem parecia estar tão bem fechada assim. De vez em quando, alguém do meio passava caminhando bem na frente deles.

Patrícia achou aquilo um pouco indecente e pousou as mãos no peito dele, tentando empurrá-lo para trás.

Heitor percebeu o gesto, mas aquela resistência delicada, para ele, mal fez cócega.

Na cabeça dele, ele nem estava fazendo nada que ferisse a moral ou os bons costumes.

Ele só estava beijando a própria esposa. E ainda por cima dentro do próprio carro.

Quando ele tinha chegado à garagem, ele tinha notado um carro pequeno, sacudindo e balançando sem parar. As pessoas lá dentro transavam com uma ousadia quase escancarada. E ele nunca tinha feito nada com Patrícia em um ambiente assim, dentro de um carro.

Heitor ignorou o recuo dela. Quanto mais ela tentava se afastar, mais ele aprofundava o beijo, tomando a boca dela, dominando cada milímetro.

Não muito longe dali, estacionado perto de um utilitário, Jacó mantinha os olhos fixos na van em que Patrícia tinha entrado.

Quando ele tinha passado ali antes, ele tinha dado apenas uma olhada rápida, mas já tinha sido mais do que suficiente para ver a posição em que Heitor estava beijando Patrícia. Como homem, ele sabia exatamente o que aquela postura significava.

Depois de observar por um tempo, Jacó finalmente entrou no próprio carro.

Lá dentro, um homem de sobretudo e óculos escuros perguntou:

— Boss, viu alguma coisa interessante?

O rosto bonito e sedutor de Jacó pareceu perder a cor ali na penumbra:

— Vi, sim. Tem gente se mexendo bem mais rápido do que a gente.

Um dos capangas que tinha seguido Jacó completou, indignado:

— Boss, o comitê organizador da Cúpula já tinha fechado com o senhor. Disseram que iam fazer o seu trabalho ganhar custe o que custar. Agora resolveram voltar atrás... Esses caras não servem pra porcaria nenhuma.

O que deixava Jacó mais irritado não era só a derrota, mas o fato de a designer pertencer à família Mendes, a mesma família que ele quase tinha levado à ruína com tanto cálculo e sabotagem. Nos últimos anos, ele tinha ouvido falar que eles tinham ressurgido das cinzas graças aos negócios no exterior. E agora ainda tinham voltado ao mercado interno, querendo reconquistar o trono?

No começo do ano, o Grupo Mendes tinha lançado a coleção Fluxo da Natureza. Ficava claro que aquele projeto tinha sido pensado para o mercado doméstico. E, pior para ele, ainda vinham com aquele discurso de tendência, dizendo que tinham usado elementos religiosos como "Virgem", "sagrado", "luz".

Em pouco tempo, vários empresários cristãos, todos da velha guarda, tinham se encantado pela coleção. Antes mesmo do início das vendas, as peças já estavam praticamente esgotadas por encomenda.

Quando percebeu que sua fatia de mercado estava encolhendo, Jacó decidiu usar a Cúpula para chamar a atenção e transformar as joias dele em objeto de desejo. O que ele não imaginou foi que o outro lado viria com um trabalho tão perfeito.

Estava mais do que claro que aquelas peças iriam para o mercado em breve. E, quando isso acontecesse, os velhos ricaços, fascinados por designs exuberantes, cheios de técnica e ostentação, certamente iriam atrás da coleção como se fosse ouro em pó.

Jacó sentiu um desconforto crescer no peito. Ele tinha planejado atacar pela brecha da designer, mas descobriu que ela já estava totalmente nas mãos de Heitor, devotada a ele, pertencendo a ele em todos os sentidos. Aquilo fez com que Jacó se consumisse de inveja e rancor.

De repente, um pensamento estranho cruzou a mente de Jacó, uma lembrança que quase tinha escorregado no esquecimento.

Ele lembrou dela. E, talvez, ela ainda pudesse ser muito útil.

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