— Mas eu não posso ficar parado, vendo eles fugirem.
O coração de Heitor parecia que estava sendo rasgado por dentro. A dor que ele sentia era quase física.
Patrícia tinha sido sequestrada. No meio do caminho ainda tinha acontecido briga entre os próprios bandidos. Patrícia tinha se arriscado para usar o celular e mandar pista pedindo socorro.
Heitor achava que a situação dela era perigosa demais. Ele sabia que Jacó, em tese, não ia matá‑la no trajeto, mas e se o carro batesse? E se ela caísse, se se machucasse? Ela estava grávida. Qualquer coisa podia colocar a vida dos dois em risco.
Ele nem queria levar esses pensamentos até o fim.
— Enrico, eu estou te implorando, me ajuda só dessa vez. — Pediu Heitor. — Eu compro uma das viaturas de vocês, pago agora se for preciso. Eu vou subir essa serra hoje.
Ali, no meio do nada, no fim do mundo, falar em "comprar carro" e sair dirigindo sozinho montanha acima era praticamente uma loucura declarada.
No começo, Enrico não cedeu:
— Não é questão de dinheiro. Se você subir sozinho e, na sorte, encontrar o esconderijo, como é que você pretende encarar três caras? Eles estão armados, são bandidos perigosos, gente que não pensa duas vezes antes de matar. Não faz sentido você ir lá para se oferecer de alvo.
— Eu topo o risco. — Heitor insistiu. — E se eles estiverem dormindo? E se eu tiver uma brecha para tirar a minha mulher de lá? Eu não quero passar o resto da vida me culpando por ter deixado essa chance passar.
Enrico ficou em silêncio por alguns segundos, avaliando.
— Está bem. Vai. — Ele acabou cedendo. — Mas você vai ser responsável por tudo o que fizer. Leva a minha viatura.
Os outros policiais já tinham começado a montar o acampamento, tirando sacos de dormir e barracas da porta‑malas. Enrico entregou a própria viatura para Heitor e explicou:
— Quando você chegar perto, avalia com calma. Se não tiver condição, não faz loucura. Segue eles de longe, se der. Espera uma oportunidade.
Heitor concordou com a cabeça. Ele já ia se afastar quando Enrico segurou firme o braço dele:
— Presta atenção em cada curva. A estrada é muito íngreme.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sem Toque, Um Amor Desperdiçado