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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 356

— Meu Deus, isso é genial. Mas, se for dela mesmo, aí não tem disputa nenhuma. A coleção Cavaleiro Negro que ela desenhou estourou no mundo inteiro, e quase ninguém consegue copiar o estilo dela. Na verdade, ninguém consegue nem chegar perto daquele efeito. As criações dela são lindas demais.

— Ela mesma não veio para o evento?

— Onde é que ela está?

— É aquela deusa de gelo, a mulher linda e inatingível. Quando ela entrou, eu reconheci na hora, só não tive coragem de ir lá falar com ela. O colar que ela está usando é lançamento da coleção de primavera que ela mesma desenhou, se chama Fluxo da Natureza. Eu achei lindo demais. Eu jurava que ela ia competir com essa peça. Nem imaginei que ainda tivesse algo ainda melhor guardado.

— Essa criação é absurda. É coisa de gênia, nível Livro do Gênesis.

Os cantos dos lábios de Patrícia se curvaram sem que ela percebesse. Naquele período, mesmo sem conseguir falar, ela não tinha abandonado a própria carreira nem por um segundo.

Quando ela e Heitor dormiam em quartos separados, ela tinha pesadelos com frequência. Ela sonhava que Heitor estava em estado terminal, às vezes que ele já tinha morrido.

Toda vez que ela acordava assustada, ela pegava o termômetro digital e media a temperatura dele às escondidas. Ela descobriu que, embora Heitor tivesse febre recorrente, por volta da meia-noite a temperatura dele se aproximava do normal.

Aquilo fez Patrícia entender que, por pior que fosse a dor, o corpo não desistia tão fácil. O fim daquele túnel era sempre uma retomada, um momento em que a pessoa se reerguia. E, se o destino era se levantar de novo, o melhor jeito de encurtar o sofrimento era ela mesma decidir se recompor. Foi por isso que ela se obrigou a reagir, a trabalhar, a se jogar de cabeça na criação.

Assim, peça por peça, nasceram trabalhos excelentes.

Ela tinha perdido a voz, tinha perdido a capacidade de engravidar. Mas, diante de Avni a chamando de inútil, ela não sentia nem um arranhão. Ela sabia que tinha talento suficiente para esmagar Avni em qualquer confronto.

Enquanto ela ainda estava imersa nesses pensamentos, uma mão tocou de leve o ombro dela. Ela virou o rosto e ouviu uma voz masculina, clara e gentil:

O rapaz ficou paralisado na mesma hora.

Era a reação que qualquer um teria. Diante dele estava uma mulher de beleza e presença praticamente inacessíveis, uma verdadeira deusa de gelo. A força que ela transmitia só de estar ali parada, somada à perfeição e à segurança que apareciam nas criações dela, não combinavam, na cabeça de ninguém, com alguém que tivesse uma deficiência de fala.

Não era desprezo, era pena. Uma sensação aguda de desperdício. Como ver uma escultura grega perfeita, mas com uma rachadura no rosto.

Patrícia achou que ele ia desistir ali, que ele ia interromper a aproximação. Era até o que ela queria. Ela já tinha feito mais do que o suficiente ao comparecer para prestigiar a organização da cúpula, e ela não queria que mais gente percebesse a doença dela.

Mas, passado o choque inicial, os olhos longos, em formato de fênix, daquele homem começaram a brilhar. Ele olhou para Patrícia com uma determinação inesperada e disse:

— Eu queria muito ser seu amigo. Deixa-me me apresentar direito. Meu nome é Jacó.

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