Marcelo ficou desconfiado e começou a especular:
— Ou ele transformou o dinheiro em ouro, mandou fundir em barras, cada barra com quinhentos gramas, valendo uns quinhentos mil, dez mil barras no total. Ou ele jogou tudo em contas no exterior. Ou até converteu em moeda virtual...
— Não. — Heitor sorriu. — Eu também só descobri isso agora. Ele pegou esses cinquenta bilhões e comprou tijolo.
— Como é que é? Usar cinquenta bilhões para comprar tijolo? O que isso quer dizer? — Marcelo não entendeu.
Heitor explicou com calma:
— Ele montou um projeto de "expansão do grupo" e foi repassando o dinheiro, aos poucos, para várias construtoras. No papel, era tudo para erguer o novo prédio-sede do grupo. Por isso ninguém achava nada estranho. Ele mandou superfaturar cada item de material de construção e, nessa diferença de preço, ele escoou os cinquenta bilhões. Na prática, o prédio não custou quase nada. Ele estava construindo outra coisa.
— O quê, exatamente? — Perguntou Marcelo.
— A gente já localizou. — Respondeu Heitor. — Fica em um lugar que não aparece em mapa nenhum, lá no estado do Amazonas. Eu desconfio que seja a cidade natal dele.
— Ele usou o dinheiro todo para construir a própria terra natal?
Marcelo realmente não teria imaginado aquilo. Na cabeça dele, aquele desgraçado Jacó era capaz de qualquer coisa, menos de fazer isso.
Marcelo respirou fundo e falou:
— Heitor, você fez um ótimo trabalho. Eu já voltei para o país e estou indo para lá agora. Eu dei um jeito de trazer um grupo de seguranças comigo. Ele provavelmente vai usar essa cidade fora do mapa para cruzar a fronteira. A gente vai juntos e fecha a rota de fuga dele.
...
O motorhome parou.
Felipe e Gustavo carregaram Patrícia para dentro de uma casa.
O tornozelo torcido de Patrícia estava tão inchado que ela não conseguia andar.
Pouco tempo depois, um ancião de expressão mansa se aproximou sorrindo. Ele parecia um daqueles velhos de aldeia indígena isolada. Ele se sentou ao lado de Patrícia e começou a preparar uma mistura de ervas para aplicar no pé dela.
Quando ele terminou de passar o remédio, Patrícia sentiu a dor aliviar bastante. Ela aproveitou para perguntar:
— Que remédio é esse? Eu estou grávida! Não vai fazer mal para o meu bebê?
O velho não só entendeu o que ela disse como respondeu em português. Ele tranquilizou Patrícia:
— Esse remédio é só para passar por fora. Ele não vai machucar o seu filho.
Patrícia se surpreendeu e, de repente, viu ali uma chance:
— Olá... o senhor pode chamar a polícia? Eu fui sequestrada.
Ela tinha reparado que a casa era muito limpa, bem arrumada, com linhas retas e acabamento recente. Pelo estilo da construção, tudo indicava que aquele lugar tinha sido erguido nos últimos anos. Era, de certo modo, um canto modernizado no meio do nada.
Por isso, ela acreditou que ainda podia pedir socorro. Foi exatamente nesse momento que Jacó entrou.
Patrícia levou um susto. Ela teve medo de que ele fizesse algo contra o velho e, na mesma hora, engoliu qualquer palavra. Quem falou foi o próprio ancião:
— Moça, o Jacó é um bom homem. Ele não vai te fazer mal.

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