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"Segredos Ardentes": Um fazendeiro proibido romance Capítulo 1

Rafael Ventura

—Esse cavalo tá manco de novo, porra! — gritei, arrancando o chapéu da cabeça e passando a mão pelo cabelo suado. - Já falei mil vezes que esse pasto novo não tá pronto. É surdo, seu imbecil?

O peão gaguejou alguma coisa que não me importei em ouvir. Me afastei bufando, chutei a cerca mal feita no caminho e continuei andando pelo terreiro da fazenda, com a camisa grudando nas costas de tanto calor.

Sol a pino.

Terra vermelha no couro.

Mosca no rabo.

E noiva enchendo o saco no W******P.

Melissa.

A princesinha da cidade.

Maquiada até pra vir ver bezerro nascer.

Só reclamava.

Do calor, do cheiro, da comida, da cama, dos bichos, de mim.

"Você vai lembrar que temos um jantar hoje, né? Com o prefeito. Vista algo decente, Rafael."

Essa foi a última mensagem dela.

"Vista algo decente."

Se eu tivesse um real pra cada vez que ela tenta me transformar em boneco da Barbie, já tinha comprado outra fazenda.

Mas aí, talvez, eu tivesse que dividir com ela.

E isso nunca vai acontecer.

— Rafael! —chamou Jorge, o capataz. —A tal arquiteta do galpão novo mandou o projeto.

— Que se foda a arquiteta. Manda ela vir medir o chão com o salto agulha que ela gosta — resmunguei.

Jorge riu, acostumado com meu mau humor.

Todo mundo aqui já sabe que eu sou ogro.

E sinceramente? Que bom. Evita que se aproximem.

Porque quanto mais perto alguém chega... mais fácil é de ser traído.

Já tentei confiar uma vez.

Me ferrei bonito.

Agora? Agora eu cuido do que é meu.

Sozinho.

Na força.

Na marra.

Parei na varanda da sede da fazenda, arranquei a camisa e a joguei sobre a cadeira de madeira.

Peguei uma garrafa d'água gelada no freezer, virei na boca, o suor escorrendo pelo peito e a cabeça fervendo.

E como se não bastasse a vida já ser um inferno, ainda tem um maldito jantar de gala em Belo Horizonte amanhã à noite.

Evento de negócios, presença obrigatória, terno, gravata e... Melissa.

— Rafael - ouvi a voz da minha mãe no rádio comunicador da fazenda. — Tua noiva ligou. Disse que se você não for amanhã, vai terminar o noivado.

Peguei o rádio.

Suspirei.

— Que comece a festa, então.

Desliguei.

Ela quer terminar? Que termine.

Eu não corro atrás de mulher.

Eu mando.

E quem quiser ficar... que aguente o tranco.

Agora, tudo que eu queria era uma cerveja gelada, um banho e uma desculpa pra sumir por uns dias.

(***)

A paz durou exatos dez minutos.

Mal tinha dado o primeiro gole na cerveja quando a voz do Jorge veio estourando no rádio:

— Doutor Rafael! A vaca da manga tá parindo e tá dando trabalho, tá virada, não consegue levantar, o bezerro tá entalado!

Puta que pariu.

Soltei um palavrão, larguei a cerveja na varanda e saí com o rádio na mão.

— Ninguém consegue resolver isso, não? — perguntei, já descendo os degraus com raiva.

— A gente tentou, mas ela tá agitada demais! Vai acabar perdendo o bezerro!

Corri até o celeiro, peguei as luvas de couro e entrei no jipe sujo que mais parecia um enterro sobre rodas. No caminho, um galo cruzou na minha frente. Quase atropelei. Maldito bicho.

Chegando no curral da manga, vi a vaca caída de lado, suando, urrando de dor.

— Me tragam corda, água e óleo, agora! - gritei.

Os peões correram. Um deles quase tropeçou no próprio pé.

Me ajoelhei na lama, afastei os homens que mais atrapalhavam do que ajudavam, e enfiei as mãos.

Literalmente.

— Calma, menina... calma... - murmurei, puxando com cuidado. — Vai dar certo, segura firme...

Ela berrou, se contorceu. Eu puxei. Mais uma vez. E então...

CHUAAAP!

Capítulo 1 - Ogro, Rabugento e Deliciosamente Indesejável 1

Capítulo 1 - Ogro, Rabugento e Deliciosamente Indesejável 2

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