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"Segredos Ardentes": Um fazendeiro proibido romance Capítulo 4

Rafael Ventura

Eu não devia estar ali.

Esse não era o meu mundo.

Luzes piscando, música insuportável, cheiro de perfume doce demais e gente se esfregando como se o fim do mundo fosse amanhã.

Mas eu precisava de silêncio por dentro.

E às vezes, pra calar a cabeça... o corpo tem que gritar.

Pedi um uísque duplo no bar, ignorei as mulheres se oferecendo com o olhar e fui pro fundo do lugar, onde o som era menos estúpido e o povo menos carente.

E foi aí que ela me atingiu.

Não vi de onde veio.

Só senti o baque.

Olhei.

E meu mundo virou o próprio inferno.

Uma mulher.

Linda.

Com um vestido preto grudado no corpo como se tivesse sido costurado com pecado.

O salto dela bateu no chão como aviso.

A maquiagem era leve. Mas o batom vermelho...

Aquilo era um convite ao erro.

E o olhar...

Jesus do céu.

Olhar de mulher que já apanhou da vida, mas que se recusa a ser fraca.

Olhar de quem desafia, mesmo com medo.

De quem sente culpa, mas quer se libertar dela com cada gota de álcool.

— Olha por onde anda — soltei, seco, rouco, já com o sangue fervendo.

Ela me olhou como se eu fosse nada.

Ou tudo.

E sorriu.

A porra de um sorriso que não devia ser permitido em público.

— Aprende a não ocupar tanto espaço — respondeu, com ousadia.

Minha nuca arrepiou.

Eu não sou de me impressionar fácil.

Não caio em joguinho.

Mas essa mulher...

Tinha um jeito de falar que fazia meu pau responder antes da minha cabeça entender.

Ela se aproximou.

Deslizou a mão pelo meu peito como se eu fosse brinquedo novo.

— Gosto de perigo... — disse, baixinho, com a boca quase roçando meu maxilar.

Minha respiração travou.

Os olhos dela desceram.

E a mão também.

Porra.

A desgraçada teve a audácia de descer os dedos pela minha barriga, até quase tocar meu cinto.

E o pior?

Eu deixei.

Ela parou antes de encostar.

Mas meu corpo já tinha reagido.

A calça já estava justa demais.

Tomei o controle de volta.

Segurei o pulso dela com firmeza, sem machucar, mas deixando claro que a brincadeira tava pra virar incêndio.

— Se continuar com essa mão aí...

vou te arrastar comigo pro inferno.

E lá, boneca, não tem botão de pausa.

Ela mordeu o lábio.

E não desviou o olhar.

— Quem disse que eu quero fugir do fogo?

PUTA. QUE. PARIU.

Essa mulher não era normal.

Não era uma qualquer.

Ela era o tipo de erro que faz homem mudar de rota.

O tipo de vício que começa com um gole e termina em overdose.

Mas eu ainda era Rafael Ventura.

O ogro que não se apega.

O homem que fode e vai embora antes do sol nascer.

E se ela queria brincar com fogo...

Eu ia mostrar o que era pegar fogo por dentro.

Cheguei mais perto. O corpo dela roçou no meu.

O calor da pele. O perfume doce misturado com álcool.

Ela piscou.

Eu sorri de canto.

— Qual o seu nome?

— Pra quê?

— Pra eu saber o que vou gemer quando você estiver de quatro.

Ela riu. Um riso debochado, bêbado, sexy.

— Talvez eu nem diga.

— Ótimo. Eu gosto de mistério.

Mas aviso logo: quando eu gosto de um brinquedo... eu uso até quebrar.

Os olhos dela piscaram diferente.

Tinha medo.

Tinha tesão.

Tinha raiva do mundo.

E tudo isso me deu fome.

Peguei a mão dela.

Levei aos meus lábios.

Beijei com a ponta da língua provocando.

Olhei nos olhos.

Capítulo 4 - A Mulher do Batom Vermelho e o Começo da Minha Queda 1

Capítulo 4 - A Mulher do Batom Vermelho e o Começo da Minha Queda 2

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