Lorena Azevedo
Ele me segurava pelos quadris e me puxava contra ele, num vai e vem que parecia que ia me abrir em dois.
- Porra... você é apertada demais...
- E você é... muito grande...
- Quer que eu pare?
- Nem fodendo!
As estocadas dele ficaram mais intensas.
O som do nosso corpo batendo, do suor escorrendo, do pecado acontecendo ali... era música.
Tropeçamos pelo quarto.
Fizemos no espelho.
Na parede.
De quatro.
Montada nele.
Gritando.
Gemendo.
Vivendo.
E quando eu gozei de novo, agarrada ao pescoço dele, sentindo ele explodir dentro de mim com um grunhido rouco no ouvido...
Eu soube:
Nunca mais eu seria a mesma.
E talvez...
nem ele.
(***)
O quarto estava escuro.
As luzes da cidade piscavam pelas frestas da cortina.
E eu...
Eu estava ali.
Deitada sobre ele.
O peito suado colado no meu.
As respirações ainda descompassadas.
Os corpos grudando, como se o ar tivesse virado sexo.
Rafael passou a mão devagar pela minha coxa, ainda arfando.
Eu estava com a cabeça encostada no ombro dele, os dedos brincando preguiçosamente no peito marcado.
Ele virou o rosto devagar.
A barba raspou minha bochecha.
E a voz dele saiu grave, baixa, e deliciosamente mandona.
- Qual o seu nome?
Sorri.
Sem responder.
Apenas mordi o lábio e dei de ombros, preguiçosa, safada.
- Então você vai mesmo manter o mistério?
- Vou. Fica mais divertido assim.
Ele soltou uma risada nasalada, rouca, sensual demais pra ser real.
- Engraçado... você sabe o meu.
Me virei, apoiando o queixo no peito dele, encarando aqueles olhos negros.
- Você não me disse.
- Hã?
- Quem disse foi a moça da recepção - sussurrei, maliciosa. - "Boa noite, senhor Rafael Ventura. Quarto 807."
Você só me pegou pela mão e entrou calado. Então... mérito não é seu.
Ele ergueu a sobrancelha.
Depois soltou um palavrão baixinho.
- Ah, boneca... você tem uma língua tão afiada quanto sua boca é quente.
- E quer saber o melhor?
- Hm?
- Eu ainda nem comecei a usar ela como deveria.
Antes que ele pudesse responder, me virei de lado.
Beijei o pescoço dele.
Depois desci pelos ombros.
Pelo peito.
Devagar.
Lambendo.


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