O rosto de Elisa Barbosa alternava entre o pálido e o avermelhado, como se as palavras do entregador tivessem sido um tapa estalado em sua face. Os olhares zombeteiros dos colegas de trabalho eram lâminas afiadas, cortando o último fio de sua dignidade.
Ela estava furiosa, profundamente irritada!
Por que Sebastião Marques tinha que lhe enviar um buquê de flores tão comum? Por que ele precisava fazê-la passar vergonha na empresa? Em que momento ele se tornou alguém inferior até mesmo a um desconhecido qualquer?
— Por favor, quem é a senhorita Elisa Barbosa? — O entregador, já um pouco impaciente, voltou a perguntar, pois ainda tinha mais entregas para fazer.
Elisa Barbosa, completamente envolta em sua própria indignação, nem percebeu que lhe chamavam.
Lavínia Paz apontou para Elisa Barbosa e disse:
— Olha, é ela ali.
O entregador se aproximou e entregou as flores diretamente nas mãos de Elisa Barbosa, tirou uma foto para comprovar a entrega e seguiu seu caminho.
— Essas flores são lindas, combinam muito com você — comentou Lavínia Paz, com um tom ambíguo.
Era inegável: Elisa Barbosa era bela. Se não fosse, Sebastião Marques não teria se apaixonado de forma tão intensa.
Mas, ao mesmo tempo, ela parecia tão barata quanto sua mãe, conhecida por se envolver com homens comprometidos.
Elisa Barbosa entendeu a insinuação de Lavínia Paz. Seus olhos antes brilhantes ganharam um tom gélido; ela jogou o buquê no chão e, com um sorriso frio, retrucou:
— Só uma órfã da família Paz mesmo pra se achar tão superior, não é? Se a família Marques não tivesse te adotado, hoje você estaria num cabaré qualquer, sabe lá onde.
A beleza pode ser uma maldição para pessoas comuns, especialmente para órfãos.
Lavínia Paz entendeu bem o recado, mas sorriu de leve e, abaixando a voz, respondeu:
— Pena que a vida não é feita de “se”. Assim como, se você não fosse filha ilegítima... quem sabe, sua vida teria sido bem mais fácil.
“Filha ilegítima” era um termo proibido no coração de Elisa Barbosa, uma ferida sempre aberta.

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