— Uau! Eli, que sorte a sua! Seu namorado além de bonito ainda é um romântico, hein? Que inveja!
— Nossa! Tantas rosas assim, será que você não me cede algumas? — algumas colegas se aproximaram, enlaçando o braço de Elisa Barbosa, com um tom levemente bajulador.
Ela reconhecia bem: eram rosas de primeira linha, cada uma valia o equivalente a um dia inteiro de seu salário.
Se pegassem algumas dela, podiam vender pela metade do preço na floricultura da esquina e ainda lucrariam um bom dinheiro.
Bastou uma colega começar, para que logo outras fizessem o mesmo pedido.
Elisa Barbosa, cercada pelos elogios e pedidos, ficou um tanto zonza, como se flutuasse; ergueu o queixo com um ar de superioridade, sentindo-se inflada pelo orgulho.
Lavínia Paz apenas balançou a cabeça, rindo baixo para si. Quanto maior o salto agora, maior a queda depois.
— Lavínia Paz, você quer? Daqui a pouco separo algumas pra você. — Elisa Barbosa provocou de repente.
Lavínia Paz apenas sorriu, sem responder.
As outras colegas continuaram elogiando Elisa, na esperança de ganhar mais algumas rosas.
— Elisa, não precisa ser tão boazinha com ela. Uma pessoa capaz de qualquer coisa por luxo e riqueza, não merece nem conversa, só suja a boca da gente.
— Pois é! Tem saúde, tem talento, mas prefere se encostar em homem rico.
Lavínia Paz arqueou as sobrancelhas. Então era assim que Elisa Barbosa falava dela pelas costas? Caçar marido rico? Falava de si mesma, por acaso.
Elisa Barbosa disfarçou um sorriso, lançando um olhar desafiador para Lavínia Paz, como se dissesse: Você acha mesmo que pode competir comigo?
— Eu vou assinar o recebimento. — Elisa Barbosa se virou para o entregador — Com esse calor, deve ser difícil pra vocês, né? Vou pagar um café pra vocês.
O entregador agradeceu, mas ao conferir o nome, seu rosto mudou: — Desculpe, mas as flores não são para você. A destinatária é Lavínia Paz, não Elisa Barbosa.
Assim que ouviu, Elisa Barbosa ficou paralisada, a coluna rígida, o rosto pálido. A caneta até caiu de sua mão.
Não era para ela?
Na verdade, as flores eram para Lavínia Paz!

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