Antes, ela nunca havia sentido isso, mas agora, esse medo envolvia todo o seu corpo, fazendo-a achar que poderia morrer a qualquer instante.
Ela correu de volta para a cabine de comando — pelo menos ali ainda havia alguém —, torcendo para que sua cunhada e Gustavo já tivessem retornado.
Infelizmente, eles ainda não tinham voltado. Naquele navio de cruzeiro, repleto de perigos, ninguém sabia onde eles estavam.
Maria Heloísa percebeu o pavor estampado no rosto de Catarina Gomes quando ela entrou correndo e, preocupada, lhe perguntou:
— O que aconteceu?
Catarina Gomes ainda não se recuperara do susto. Bateu no peito, engoliu em seco e demorou um pouco até conseguir contar, com detalhes, o que acabara de presenciar.
— O homem que apontou a arma para minha cunhada morreu. E morreu de forma horrível, sangrando pelos olhos, nariz, ouvidos... por tudo.
O mais estranho era que, mesmo Otávio Santos tendo acabado de morrer, ela não viu sua alma.
— Bem feito pra ele, mereceu. Ele era cruel demais — disse Maria Heloísa, com uma calma impressionante, sem demonstrar qualquer medo, chegando até a demonstrar certo prazer com a tragédia.
Mas ela também era passageira daquele navio. Um a um, todos estavam morrendo. Não era para estar desesperada?
Por que ela mantinha tamanha tranquilidade?
Catarina Gomes não pôde deixar de lembrar do que Arthur dissera. Será que todas as mortes no navio estavam realmente ligadas a Maria Heloísa?
Ela desejava, desesperadamente, ver fantasmas, entender o que estava acontecendo naquele navio.
E onde estavam Gustavo e sua cunhada? Será que algo terrível lhes acontecera?
Catarina Gomes se recompôs e mudou de assunto:
— Acabei de andar pelo navio inteiro e não encontrei nem minha cunhada, nem o Gustavo. Você sabe para onde eles foram?
Os grandes olhos de Maria Heloísa não desviaram um segundo de Catarina Gomes. E então ela respondeu:
— Eles estão bem. Agora você pode ficar tranquila, não?


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