— Cunhada, Gustavo, por favor, acreditem em mim. Se continuarmos aqui, vamos todos morrer.
— Aquela Maria Heloísa é louca, foi ela quem matou as pessoas no cruzeiro. Eu vi o espírito daquele homem, ele mesmo me contou tudo.
Como era de se esperar, Catarina Gomes estava realmente em estado de choque, e o pior: eles nem faziam ideia do que ela havia passado.
Catarina Gomes segurava a cabeça, completamente desmoronada, lágrimas quentes deslizavam por seu rosto.
— Vocês dizem que ficaram o tempo todo na sala de comando, mas eu fui procurar vocês várias vezes, e só encontrei a Maria Heloísa lá.
— Eu sabia que era coisa dela, então me escondi dentro de um armário, morrendo de medo.
— Mas vocês não lembram de nada disso. Vocês conseguem imaginar o terror que senti? Se eu ficar aqui mais um minuto, vou enlouquecer de vez.
— Gustavo, te imploro, me manda pra casa. Tantos anos de amizade, é a primeira vez que te peço algo assim.
Enquanto falava, Catarina Gomes ameaçava se ajoelhar. Lavínia Paz, rápida, a segurou nos braços.
— Catarina, tente se acalmar. Nós acreditamos em você, entendemos sua dor, mas agora a situação mudou…
Antes que Lavínia Paz pudesse terminar, Catarina Gomes tapou os ouvidos, não querendo ouvir mais nada.
— Não quero ouvir, não quero! Só quero sair daqui.
— Catarina…
— Se vocês não me ajudarem, eu vou embora sozinha. De qualquer jeito, não fico mais nem um segundo nesse lugar maldito.
Catarina Gomes parecia fora de si, os olhos vermelhos como se fossem sangrar. Num rompante, saiu correndo do local.
Gustavo Marques e Lavínia Paz, preocupados com o que pudesse acontecer, não tiveram outra escolha a não ser correr atrás dela.
Em vez de pegar o elevador, Catarina Gomes desceu pelas escadas. O medo tomava conta, e ela encontrou uma força que não sabia que tinha, descendo com uma velocidade impressionante.

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