Lavínia Paz ficou atônita.
— Como ele morreu?
— Foi uma morte terrível: sangramento pelos sete orifícios — respondeu Gustavo Marques, com expressão grave. — E não foi só o Arthur. Das pessoas que conseguiram sobreviver antes, tirando nós quatro, todos os outros também morreram assim, sangramento pelos sete orifícios.
Lavínia Paz levou as mãos à boca, apavorada.
— Por que todos morreram desse jeito? Não era essa a causa de morte dos outros passageiros do navio antes. Agora somos os principais suspeitos, não é?
— Exato. Por isso um grupo especial de investigação foi designado para apurar o caso.
Milhares de vidas perdidas, e eles eram os sobreviventes. Para os outros, talvez fossem os assassinos.
Independentemente de ter havido crime a bordo ou não, agora, com tantas mortes, uma investigação era inevitável.
— Então, não podemos sair de Cidade B por enquanto?
— Isso. Só depois que o grupo especial descobrir o verdadeiro culpado.
— E se nunca descobrirem, nunca poderemos voltar para Cidade Capital?
— Vai depender de como as coisas se desenrolarem. Por enquanto, é impossível prever — respondeu Gustavo Marques, honestamente.
— Lavínia, você está exausta. Tente descansar um pouco.
Lavínia Paz levantou a mão, fazendo um gesto para interrompê-lo.
— Gustavo, espere! Na verdade, só sobramos nós quatro. Catarina Gomes está comigo, ela está em choque. Nós três não seríamos os culpados. Isso só deixa a Maria Heloísa.
— Você também pensou nisso.
— Você acha que foi ela? — Lavínia Paz franziu a testa, desconfiada.
Gustavo Marques ficou pensativo por um instante antes de responder:
— No começo, era só uma suspeita. Mas depois que reparei na força psicológica dela… Mesmo com tanta morte ao redor, ela nunca perdeu o sorriso, não demonstrou medo algum. Percebi que ela não era uma pessoa comum.

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