— Vocês dois precisam confiar um no outro. A boca serve para conversar, então, se houver algum mal-entendido ou insatisfação, falem sobre isso, não guardem para si. Guardar só faz mal ao relacionamento.
Gustavo Marques e Lavínia Paz trocaram um olhar e sorriram, cúmplices.
— Também não quero falar demais, vai que vocês acham que esse velho aqui é muito chato — vovô Marques se ironizou.
— Que bom que sabe — Gustavo respondeu de propósito, entrando na brincadeira.
Vovô Marques franziu a testa. De novo! Respondeu com um resmungo:
— Lavínia, esse rapaz tem a língua afiada demais, hoje não deixa ele deitar na cama, não.
Lavínia Paz riu e fez um gesto de concordância:
— Entendido.
Gustavo Marques arqueou as sobrancelhas e olhou para Lavínia com um ar de leve desapontamento.
Lavínia fingiu que não viu, olhando para o teto.
Depois de um tempo de conversa descontraída, cada um foi para o seu quarto.
Gustavo Marques olhou para Lavínia com seriedade:
— Hoje durmo no sofá?
Lavínia ficou um instante surpresa, percebendo que ele tinha levado a sério o que ela disse concordando com o vovô Marques.
Pensou um pouco e respondeu:
— Se você quiser, então pode dormir no sofá.
— E se eu não quiser?
— Dorme na cama? — Lavínia não conteve o riso, achando Gustavo surpreendentemente infantil, bem diferente da imagem que ele passava para o mundo.
Gustavo assentiu com seriedade, o olhar sincero:
— Como vamos fortalecer nosso relacionamento se não dormirmos juntos? Como vamos dar uma neta para o velho?
Na família Marques já havia três netos e o avô já tinha dito que queria, ainda em vida, segurar uma neta nos braços.
Os três irmãos mais velhos já estavam com idade avançada, então a esperança do velho estava toda sobre Gustavo.


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