Maximiliano retornou à sua solitária casa sentindo-se vazio e muito cansado. O eco do seu desespero ainda ressoava em sua cabeça enquanto as luzes tênues da sala mal conseguiam amenizar a frieza do seu lar.
— Você não pode sair assim do hospital e muito menos sozinho — repreendeu-o Marcelo, claramente preocupado enquanto o ajudava a tirar a jaqueta. Tinha saído correndo para o hospital quando Anthony o avisou da fuga de Max, e não pôde evitar sentir-se aliviado ao encontrá-lo mais ou menos inteiro.
Marcelo não entendia como aquela mulher, Liliane Williams que se dizia sua noiva, não conseguia nem mesmo ficar com ele no hospital.
— Eu precisava vê-la... — murmurou Max, as palavras escapando de seus lábios com o peso da frustração — e ela se foi... Marcelo, ela se foi.
Max parou de repente, apertando os punhos com força. As palavras da senhora idosa que lhe havia dito que Julieta tinha se mudado ainda o atormentavam.
"Foi embora sem deixar endereço", ela havia dito com um sorriso lânguido, e Max sentiu como se todo o seu mundo tivesse desmoronado.
— Eu vou procurá-la, Max. Sou bom no meu trabalho, não sou? — brincou Marcelo, tentando aliviar o ambiente tenso com um sorriso, mas o gesto morreu rapidamente ao ver a expressão do amigo.
— É minha culpa... ela foi embora por minha culpa — lamentava-se Maximiliano Hawks, pela primeira vez em sua vida.
Não valorizou o amor de Julieta e agora estava pagando caro.
Maximiliano, com os olhos marejados, mal conseguia se manter em pé. As palavras ficavam presas em sua garganta. Tudo o que queria era dormir, dormir até que a dor da ausência de Julieta desaparecesse.
— Quero dormir — pediu com voz embargada, não se sentia com força suficiente para subir as escadas.
— Vamos, vou levá-lo para seu quarto. Você precisa descansar — disse Marcelo, com uma mão firme em seu ombro — sabia que já lhe deram seus medicamentos, mas de qualquer forma não vou embora até que você esteja dormindo. Depois começarei a procurá-la.
***
Os dias seguintes se tornaram uma tortura para Max. Durante uma semana, sua vida girou em torno de uma busca implacável. Homens de confiança, detetives particulares, todos mobilizados para encontrar Julieta. No entanto, não havia rastro algum. Era como se ela tivesse se desvanecido do planeta.
Maximiliano passava noites em claro, repasando cada detalhe, cada conversa que havia tido com Julieta antes de seu desaparecimento, perguntando-se se havia sinais que tinha ignorado. Marcelo fazia o que podia para manter o controle, mas cada dia sem notícias o desgastava mais.
— Como é possível que não encontrem uma pessoa? — rosnava Max enquanto percorria seu escritório de um lado para o outro, desesperado. — Onde ela está?
— Max, já verificamos todos os aeroportos, as estações de ônibus e os pedágios, e ela não saiu por terra, ar ou água. Já revisamos tudo. Aeroportos, estações de trem, hotéis... mas nada. Parece que Julieta simplesmente não existe — respondeu Marcelo, frustrado.
Foi isso que acendeu uma faísca na mente de Max. Ele parou sua caminhada de repente.
— Julieta! — exclamou, batendo na própria testa — Claro! Ela não está usando seu nome.
Marcelo o olhou confuso.
— Do que você está falando? — observou-o atentamente, muito curioso.
— Seu verdadeiro nome... seu nome completo é Juliette Beaumont. Ela não usou o sobrenome Persson nem seu nome habitual para que ninguém a encontrasse — disse Max, sentindo que finalmente havia encontrado a chave e sentindo-se quase aliviado.
— Eu também estou feliz em ver você, papai — respondeu Julieta.
Julieta dá um beijo no queixo dele, como é seu costume, e todos caem na risada. Quando Julieta era criança, nunca alcançava as bochechas dos pais, então os beijava onde conseguia, e isso sempre era no queixo.
Seus pais estavam felizes em vê-la e também seus dois irmãos mais velhos; ambos haviam sofrido com a partida de Juliette, mas a entendiam e a perdoavam.
Era sua irmã caçula!
Como não perdoá-la?
— Nos doeu muito quando você foi embora — disse Vic, que era apenas dois anos mais velho que ela e brincavam muito quando crianças — mas te perdoo se não for embora de novo.
— Não irei a lugar nenhum — garante Julieta — acabou essa história de me esconder. Já vou me casar com o duque Rutland.
— Isso me alegra muito, Jules — disse minha mãe com carinho — você é a filha do conde Beaumont, não está para se esconder, querida. Está para brilhar.
O amor de sua família, quanto ela sentia falta disso.
Os abraços e o carinho lhe faziam tanta falta que começou a chorar nos braços do pai. Julieta não sabe como eles vão reagir com a notícia de sua gravidez, mas sabia que eles nunca a deixariam sozinha.

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