— Parabéns aos noivos — disse Max, com um toque de raiva em sua voz que ele tentava desesperadamente esconder.
A dor em seu peito era real, e o que ele via diante de seus olhos também; o homem obviamente rico e totalmente desconhecido para ele estava entregando a sua Julieta uma caixa que provavelmente continha um anel de noivado, e Maximiliano sentiu que estava se sufocando.
— Obrigado — sorriu Callum, sem entender quem era o homem. Mas pelo rosto pálido de sua agora noiva, ele teve uma ideia — Callum Rutland — ele estendeu a mão — Você é…?
Callum não entendeu a chegada inesperada do loiro, mas não se importou muito. Ele estava ali porque, desde que Juliette Beaumont nasceu, ela foi prometida a ele, e ele pretendia honrar o desejo de seu avô, e embora ela fosse muito bonita, ele não a amava.
— Maximiliano Hawks — respondeu ele a contragosto, sem tirar os olhos de Julieta e aceitando a mão de seu oponente — Como você está, Jules?
— Bem — respondeu ela com os dentes cerrados, recusando-se a reconhecê-lo — Callum, Maximiliano Hawks é meu chefe. Em breve, meu ex-chefe — explicou Julieta — Assim que nos casarmos, voltarei para Londres.
O coração de Julieta batia descontroladamente em sua caixa torácica; ela quase não ouvia nada além do sangue rugindo em seus ouvidos; de alguma forma, ela conseguiu manter uma fachada calma em seu exterior, enquanto em seu interior era um caos total com alarmes e todo o equipamento para reanimar sua mente.
— Ah, maravilhoso — respondeu Callum, com seu olhar de falcão. O sarcasmo era evidente, mas ninguém mencionou.
— É — concordou Julieta, sem saber onde se enfiar.
Callum gostava de ler as pessoas, e aquele casal dizia muito.
Era por isso que Juliette não queria se casar, como ela havia dito há alguns minutos?
Julieta decidiu abrir a caixa e ficou maravilhada com o anel que estava lá dentro; era um solitário simples, mas a pedra em si não precisava de mais nada; sob o olhar atento de Callum e Maximiliano, ela colocou o anel em seu dedo, e Callum se levantou para fazer um anúncio.
— Ela disse sim! — exclamou Callum, com alegria fingida — Vamos nos casar!
O restaurante silencioso explodiu em aplausos ao ver o casal feliz; Maximiliano ficou pálido e se sentiu fisicamente mal; ele ficou tonto, com o estômago embrulhado e a dor de cabeça o atacando.
— Julieta? — perguntou Max com dificuldade, olhando fixamente para Julieta.
Ela, que havia se recusado a reconhecer sua presença, se virou e lançou-lhe um olhar fulminante.
— Diga, senhor Hawks — respondeu ela, tentando não quebrar os dentes de tão forte que apertava.
— Podemos conversar um pouco? — perguntou Max, mais nervoso do que nunca — Há… alguns documentos que não consigo encontrar, e como você está de férias, não tive oportunidade de pedir — a mentira saiu facilmente de seus lábios.
Maximiliano queria gritar, carregá-la em seu ombro e levá-la embora, mas seus olhos verdes, um dia cheios de amor, agora a olhavam friamente e sem sentimentos, e isso o impedia. Ela não o olhava mais da mesma forma; algo havia mudado nela… como se ela estivesse quebrada.
— Claro — disse ela com a voz tensa, a desconfiança enchendo seu ser — Com licença, Callum, já volto; quero frango e qualquer acompanhamento que você quiser, eu gosto de comida.
— Perfeito, querida — respondeu ele carinhosamente, saboreando como se sentia — Vou pedir outra taça de vinho para você.
A palavra melosa não apenas surpreendeu Julieta, mas também Maximiliano, que apenas apertou os punhos; algo que Callum notou imediatamente; o homem simplesmente não conseguia esconder sua aversão por ele.
“Ele queria se meter em algo assim?” perguntou-se Callum Rutland.
— Obrigada… querido — respondeu Julieta com as bochechas vermelhas; parecia estranho que algo assim saísse de sua boca, dirigido a alguém que não fosse Maximiliano, e com ele parado a menos de dois metros de distância dela.
— Você vai se casar comigo? — Julieta perguntou, depois esperou, e Max não respondeu — Você vai cumprir sua palavra e cancelar o noivado com Liliane?
Max começou a suar; sua tontura intensificou-se, e a dor de cabeça lhe causou pontos brancos na visão; ele abriu e fechou a boca algumas vezes, mas não disse mais nada, e Julieta esperou com a respiração presa na garganta, com um fio de esperança que se apagava a cada segundo de silêncio de Maximiliano.
— Eu pensei bem, presidente Hawks — ela apagou a esperança que havia deixado brilhar por alguns segundos e a pisoteou.
Isso a fez se afastar ainda mais dele; parecia que havia um mundo de distância entre eles.
— Não vou deixar você se casar com ele, nem com ninguém mais — sentenciou ele egoisticamente; ele sabia disso, mas não conseguia evitar.
— Afaste-se de mim, Maximiliano, ou eu publicarei que somos mais do que chefe e empregada — ameaçou ela, como último recurso.
— Faça isso — Max devolveu o desafio, com um sorriso que não pressagiava coisas boas.
Julieta se virou e saiu do VIP onde estavam e voltou para onde aparentemente pertencia, embora seu coração desejasse que ela voltasse seus passos, seu cérebro a silenciou e a enterrou tão fundo que ela se sentiu entorpecida.
— Desculpe por isso — disse ela, sentando-se sem esperar que Callum movesse a cadeira para ela; ela bebeu seu vinho de uma vez, e Callum a olhou com interesse renovado.
— Tudo bem, nossa comida chegou — ele apontou para os pratos que Julieta nem sequer havia notado.
Com o estômago fechado, ela não queria nada, embora parecesse delicioso, mas ela tinha que fazer, tinha que fingir que tudo estava perfeito. Ela consegue, não é?
Julieta colocou um sorriso em seu rosto e começou uma conversa banal com seu noivo, Callum, enquanto Maximiliano a observava de longe; ele só bebia e bebia, embora soubesse que não era o ideal, ele não se importou. Vê-la assim com outro homem a incomodava como nunca.

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