Julieta e Marcelo tinham tudo pronto para a coletiva de imprensa. Haviam organizado cada detalhe com precisão cirúrgica, certificando-se de que nada ficasse fora do lugar. A sala estava repleta de jornalistas, câmeras e microfones, todos expectantes pelas declarações que estavam prestes a dar.
Julieta ajustou o microfone diante dela, observando com atenção a multidão que murmurava impaciente. Ao seu lado, Marcelo permanecia sério, focado na tarefa que tinham em mãos.
—Bem, vamos fazer Maximiliano voltar à vida —disse Marcelo com voz firme, sem tirar os olhos do público.
—Isso mesmo —respondeu Julieta num tom neutro, mas com o olhar carregado de significado. Depois, baixou um pouco a voz e perguntou com cautela—: Você se comunicou com aquele homem?
Marcelo mal desviou o olhar para responder no mesmo tom baixo:
—Ele esteve ocupado, mas também está irritado. Estão procurando por ele por ter deixado mal a organização.
Julieta assentiu, sua mente trabalhando a toda velocidade.
—Pressione mais o Fernando Williams pelo pagamento —ordenou com frieza.
Marcelo não precisava que ela explicasse. Julieta havia seguido com paciência as migalhas de pão, reconstruindo uma verdade que agora ardia em suas mãos como um fósforo prestes a acender uma fogueira. Fernando Williams e o bastardo do Dimitri não só compartilhavam negócios sujos... compartilhavam sangue.
E Julieta não tinha intenções de deixar que nenhum dos dois escapasse.
—Se continuarmos apertando, tentará negociar —murmurou Marcelo, cruzando os braços.
Julieta sorriu com um toque de satisfação.
—Não quero que negocie. Quero que pague.
A multidão começou a se mover com inquietação, os murmúrios crescendo em volume quando o relógio marcou a hora exata. As luzes se acenderam, as câmeras focaram o pódio, e os repórteres prepararam seus gravadores.
Marcelo ajeitou o paletó e olhou para Julieta com um aceno.
—É hora.
Julieta respirou fundo e subiu ao pódio com a confiança de uma rainha.
—Boa tarde, senhoras e senhores. Obrigada por virem...
E com essas palavras, o mundo estava prestes a conhecer sua versão da história.
Sebastián se escondia como um rato no quarto de um hotel barato, com a televisão ligada mostrando a coletiva de imprensa ao vivo. Apoiou os cotovelos nos joelhos e entrelaçou as mãos, vendo com frustração como Julieta falava com segurança diante dos jornalistas.
—Essa maldita vadia... —murmurou entre dentes.
A notícia de que Brigitte havia acordado o havia pego de surpresa. Não deveria estar viva. Não depois do que Dimitri havia feito. Sebastián esteve ajudando Dimitri nos bastidores, certificando-se de que tudo saísse bem... e agora, em lugar de uma morta, tinham uma mulher acordada que poderia estragar tudo.

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