Isabel alcançou o quarto correto depois de duas tentativas fracassadas. Ao abrir a porta, encontrou Julieta recostada numa cadeira de balanço muito luxuosa e confortável, olhando para ela com os olhos arregalados de incredulidade. A surpresa fez com que Julieta se levantasse de súbito, com uma mistura de espanto e alívio em sua expressão. Depois do abraço, Julieta se afastou um pouco dela ainda sem conseguir acreditar no que via.
—O que faz aqui? —exclamou Julieta, desconcertada.
—Vim por você —respondeu Isabel sem hesitar—. Lembrei onde esse cara morava e não pude ficar sem fazer nada. Me tomou algum tempo porque não sabia que você estava sequestrada, mas aqui estou.
Julieta respirou fundo, sem conseguir disfarçar o medo em seu olhar. Esse homem era perigoso demais.
—Não havia guardas lá fora? —questiona Julieta desconcertada— Isabel, de qualquer modo, não podemos fugir —disse, baixando a voz e tocando o ventre de forma protetora—. Minha gravidez está muito avançada. Se tentar correr, colocaria o bebê em perigo.
Isabel lhe dedicou um olhar firme e tranquilizador, transmitindo toda a confiança que conseguia reunir.
—Tudo ficará bem, Julieta. Vou te tirar daqui caminhando, lembro de uma saída —disse num sussurro.
Justamente naquele momento, a porta se abriu de golpe, e quatro homens enormes e armados irromperam no quarto, apontando suas armas para Isabel. Instintivamente Julieta a pegou pela mão.
O ar se encheu com uma risada sinistra que Isabel reconheceu instantaneamente. Dimitri Antonov fez sua entrada, seus olhos frios e calculistas fixos nas duas mulheres.
—Então Maximiliano Hawks manda sua fiel secretária para salvar sua amante, hein? —disse Dimitri com um sorriso cheio de sarcasmo, levantando uma sobrancelha— não é isso lindamente covarde?
Isabel e Julieta franziram a testa.
—Ninguém me enviou. Vim sozinha —com coragem Isabel respondeu.
Dimitri soltou uma gargalhada incrédula.
—Isso é ainda melhor. Não acham, pessoal? —pergunta a seus homens que riem como hienas— levem-na.
Dois de seus homens agarraram seu braço, tentando levá-la para a porta. Mas Julieta, num ato desesperado, apertou o agarre no outro braço de Isabel e puxou-a, com todas suas forças, se recusando a soltá-la. Os homens hesitaram, sabendo que tinham ordens rigorosas de não machucar Julieta. A tensão no quarto era palpável; os capangas trocavam olhares de incerteza, sem saber o que fazer.
Dimitri observou a cena, divertido e satisfeito.
—Deixem-na livre —ordenou, com voz gélida, observando ambas as mulheres com uma expressão predadora—. Em vez de uma flor exótica, agora tenho duas. Pode ser que Maximiliano não dê nem um centavo por ela, mas pelo menos fará companhia à minha bela flor enquanto estivermos aqui. Depois a deixamos num bordel quando formos embora.
Então, seu olhar se cravou em Julieta, desfrutando de seu desconforto.
—Para onde vamos? —perguntou Julieta temerosa, olhando para todos no quarto esperando que alguém respondesse.
Ninguém o fez.
—Viu, Julieta? Como sou bom e benevolente com você —acrescentou com um sorriso torto ignorando sua pergunta. Não precisava saber que em uma semana iriam para o Alasca—. Esta noite jantaremos novamente. Vista algo bonito do guarda-roupa que enviaram esta manhã.
Julieta permaneceu em silêncio, controlando sua respiração, tentando não mostrar o medo que revirava seu estômago, quando o viu ir embora.
—Desculpe, Julieta —disse Isabel, com a voz entrecortada e os olhos avermelhados—. Tudo isso... foi por água abaixo. Ninguém vai vir por nós, e já não sei mais o que fazer...
Isabel começou a hiperventilar, sua respiração se acelerando enquanto suas mãos tremiam. Julieta tentou acalmá-la, mas Isabel continuava imersa em sua própria angústia. Lembrou de sua gravidez e como toda essa situação de estresse poderia afetar seu bebê, e naquele momento, as lágrimas começaram a encher seus olhos.
Julieta se armou de coragem, tentando manter a serenidade para não contagiar Isabel com mais tensão.
—Calma, Isabel, por favor. Respire fundo —disse, se aproximando e pondo uma mão em seu ombro com suavidade—. Vamos sair desta. Te prometo.
Isabel respirou com dificuldade, mas pouco a pouco começou a se acalmar com as palavras de Julieta. No entanto, justamente quando parecia estar se tranquilizando, uma dor aguda atravessou seu ventre. Isabel se dobrou em dois, soltando um leve gemido, seu rosto contorcido pela dor.
—Ai, meu Deus! —sussurrou Isabel, com os olhos cheios de pânico—. Isso... isso não está certo... Meu bebê!
Julieta ficou em choque sentindo uma onda de preocupação.
—Isabel, escute, respire. Vamos sair desta, mas preciso que mantenha a calma. Me ajuda com os exercícios de respiração? Tente, por favor —sem soltá-la, sussurrou para acalmá-la embora estivesse aterrorizada.
Isabel assentiu entre ofegantes, tentando obedecer, mas a dor em seu ventre a fez cambalear mais uma vez. Julieta a segurou com firmeza, sem parar de repetir que respirasse, que tentasse se concentrar.
Ambas estavam assustadas, mas Julieta se forçou a projetar calma enquanto, em seu interior, rogava que o resgate chegasse logo. Não podiam se permitir ceder ao pânico, mas não podia negar que estava começando a vencer.
Agora o que fariam duas grávidas sozinhas?

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