— Tenho muito trabalho, mãe... talvez depois — respondeu sem parar de cortar sua carne — posso arranjar um espaço na minha agenda quando Isabel pedir suas férias na Hawks Holding e vamos todos.
— Por que esperar? — questiona Arabella irritada por suas palavras — ela pode chegar depois, não é mesmo, querida?
Isabel optou por não responder mesmo que parecesse grosseiro de sua parte. Não se importou.
— Vocês podem se adiantar, Isabel e eu os alcançamos — respondeu Callum devagar.
Isabel lhe deu um olhar de agradecimento e Callum pegou sua mão sobre a mesa, não pensava deixá-la sozinha.
Depois de um tempo, Isabel se desculpou da mesa e se dirigiu ao jardim, em busca de um respiro de tanta falsidade.
Caminhou pelos caminhos de pedra até encontrar um canto profundo e afastado, onde uma fonte majestosa dominava a paisagem. No centro da fonte, uma escultura de uma mulher de pedra segurava no alto uma vasilha da qual brotava um suave jorro de água.
Isabel ficou olhando a fonte, hipnotizada pela paz que transmitia. Sentou-se em um banco de mármore próximo, fechando os olhos e desfrutando da frescura do ar. De repente, uma vozinha ao seu lado interrompeu seus pensamentos.
— É Afrodite — disse a voz terna de um menino, com um tom surpreendentemente sábio para sua idade.
Isabel abriu os olhos e encontrou um menino observando-a com uma expressão serena e curiosa. Surpresa, sorriu para ele.
— Você sabe a história de Afrodite? — perguntou ela, intrigada.
O menino assentiu, e começou a contar a história da deusa do amor e a tragédia que a envolvia, falando com uma mistura de admiração e conhecimento. Isabel o escutava com um sorriso, desfrutando daquela conexão inesperada. Ao terminar, ela compartilhou um dado que a fascinava:
— Sabia que Afrodite não era só a deusa do amor, mas também do desejo e da fertilidade? — explicou Isabel, emocionada por poder compartilhar algo com ele — Em alguns relatos, dizem que nasceu da espuma do mar. Os gregos a representavam como a força que dá vida, mas também como a que podia destruir.
Terrence era um menino muito inteligente e apreciava a inteligência dos outros, às vezes era tratado com condescendência e isso o frustrava, por isso se alegrava de falar com alguém que valorizava seus conhecimentos e não só isso... a emoção nela parecia real. Algo que não tinha muito em seu ambiente.
O menino a olhou admirado, fascinado por compartilhar a história. Ao final de seu relato, se inclinou para ela e sussurrou, como se compartilhasse um segredo:
— Poderia me emprestar alguns dos seus livros? Não tenho amigos que gostem dessas coisas. Minha mãe diz que são bobagens... — seu rosto caiu um pouco ao lembrar de sua mãe.
— Vou dizer ao seu pai para levar para você esta semana — assegura ela emocionada — selecionarei meus favoritos. Não há nada bobo na mitologia. Na verdade, agora que sei disso, já sei como decorar o quarto na nossa casa — Isabel sorriu com doçura.
— Sério, senhora? — a emoção se notava em seus olhos brilhantes e no sorriso tímido deslumbrante que iluminava mundos. O pequeno estava muito grato — também tenho um quarto na casa do papai?
— Claro que sim, seu pai assim que soube da sua existência te amou muito. Eu estava lá — afirma Isabel muito séria olhando nos olhos do pequeno. Precisava que ele entendesse que não era rival de Terrence.
— Isso é genial! — deu um gritinho emocionado.
Pouco depois, Callum apareceu no jardim, procurando-a. Ao vê-la com o menino, sorriu, e se sentiu orgulhoso de como ela havia manejado a noite. Isabel, também, sentia que a noitada, apesar dos momentos tensos, havia sido frutífera. Talvez fosse uma pequena vitória, mas encheu seu coração.
— Então, aqui estão — disse Callum olhando com amor onde estavam sentados.
— Callum... não te ouvi chegar — disse Isabel preocupada — vim tomar ar fresco.
— Sua esposa sabe de mitologias — informa Terrence e ambos os adultos soltam risinhos.
Julieta piscou, surpresa com suas palavras. Quem era esse cara? Por que se importaria que ela se alimentasse? Decidida a entender o que estava acontecendo, ergueu o queixo e sustentou seu olhar, embora cada fibra de seu corpo gritasse para evitar aqueles olhos escuros e perigosos.
— Vou comer... mas só se me responder algumas perguntas — decidiu que queria respostas.
Para sua surpresa, o homem sorriu, divertido, como se a coragem de Julieta fosse uma curiosidade inesperada. Assentiu lentamente, cruzando os braços enquanto se inclinava ligeiramente para frente, deixando que sua presença imponente preenchesse ainda mais o espaço.
"A flor não é só linda, mas também tem espinhos" pensou o homem admirando sua coragem, muitos homens já teriam se sujado só de vê-lo.
— Muito bem, preciosa flor. Você tem minha atenção. Faça suas perguntas — respondeu ele, pronunciando as palavras com uma mistura de interesse e sarcasmo — eu decido o que responder e o que não.
Julieta engoliu em seco, sentindo que estava jogando um jogo perigoso com alguém que claramente estava acostumado a ter controle. No entanto, não podia deixar que o medo a paralisasse. Pensou em Maximiliano, em seu bebê, e no que quer que significasse aquela ameaça inesperada em sua vida.
— Quem é você? — pergunta Julieta duvidosa — O que... o que quer de mim? Por que me trouxe aqui?
O homem a olhou em silêncio, como se considerasse quanto dizer.
— Você é o preço que Maximiliano deve pagar. Alguém devia lembrar a ele as consequências de seus atos. E você... — a olhou de cima a baixo, parando um segundo em seu ventre — é o incentivo perfeito.
Julieta percebeu que o homem não havia respondido a pergunta mais importante.
Quem diabos era o moreno?

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