Ao amanhecer, a luz se infiltrava timidamente entre as cortinas e o primeiro reflexo fez Isabel despertar devagar. Quando abriu os olhos, notou que estava em sua cama, coberta, e ao seu lado estava Callum, com seu braço ainda a envolvendo, profundamente adormecido. Era raro vê-lo assim, relaxado e ao seu lado, algo que não acontecia com frequência. Lembrou vagamente da noite anterior, a tensão, a dor e as lágrimas que havia derramado; sentir seu corpo junto ao dela agora, quase a tranquilizava... embora soubesse que precisavam conversar.
Um tempo depois, Callum começou a se mexer, e assim que abriu os olhos e a viu acordada, esboçou um sorriso leve e acariciou sua bochecha.
— Bom dia — murmurou suavemente.
Isabel o olhou, ainda com o peso da incerteza em seu rosto, mas lhe respondeu em um tom apaziguador:
— Bom dia — Houve um silêncio curto, mas significativo.
— Hoje tirei o dia de folga. Precisamos conversar — Callum se antecipou a explicar sua presença em casa, adivinhando seus pensamentos, suspirou.
A tensão nos ombros de Isabel era evidente, e seus olhos se encheram de lágrimas novamente. Callum notou sua reação e rapidamente acrescentou:
— Não é nada ruim, prometo. Só quero que conversemos e esclareçamos as coisas.
Callum se sentou junto a ela, pegou sua mão e com delicadeza começou a explicar o que havia acontecido na noite anterior.
Relatou como havia terminado jantando com Arabella para ter as respostas às suas perguntas e dúvidas, e a surpresa que continua sendo descobrir que tinha um filho.
— Eu... — Isabel calou novamente sem saber realmente o que dizer. Acreditava nele, é claro.
As fotos não eram sugestivas, mas doía ter lido o título, e somando que seus hormônios estavam um pouco loucos, o coquetel de choro misturado com o medo e a tristeza da noite anterior foi horrível para ela.
— Sei que é uma péssima desculpa, mas tudo continua sendo... um choque. Arabella disse que queria que conhecesse Terrence e... não tive cabeça para pensar em tudo o que isso poderia provocar — confessou, procurando suas palavras para que ela entendesse — Não soube que havia jornalistas por perto, nem imaginei que isso sairia dessa maneira.
Callum a observava com uma mistura de gratidão e temor.
— Sei que é pedir demais que aceite tudo isso imediatamente — sussurrou com medo de que quisesse ir embora — Mas preciso que confie em mim, Isabel. Não pretendo te perder. Quero construir uma vida com você, e isso inclui ser honesto com o que acontecer com Terrence... e, principalmente, com Arabella, que é apenas a mãe do meu filho.
Isabel o olhou com intensidade, processando cada palavra e entendeu que ele está assegurando que ela não é um perigo para seu relacionamento, mas algo a fazia sentir incerteza e não sabia ao certo o que era.
— Callum, não me importo que tenha um filho ou que tenha ido ver a mãe dele. É o fato de que não me contou nada sobre ir àquele jantar, de que tive que descobrir de uma maneira tão cruel. Não quero que volte a me deixar no escuro, nem que essas pessoas interfiram em nossa vida. Só quero a verdade — Isabel pensou que o que pedia não era muito absurdo.
Callum assentiu, visivelmente comovido por sua resposta.
— Você tem minha palavra, Isabel. Sinto muito. Nunca mais vou te colocar nesta situação — a abraçou com força, como se temesse perdê-la naquele mesmo instante.

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