Começaram o dia muito cedo para os exames de Maximiliano, Julieta havia saído para comprar o café da manhã para ambos e comeram em silêncio, ao meio-dia era a vez de Julieta fazer sua revisão e fiel à sua palavra Maximiliano deixou alguns exames para o dia seguinte para poder estar com Julieta e o bebê. Não queria perder nada.
— Está com fome? — pergunta Max — acho que deveríamos começar a trazer lanches.
— Estou bem, se ficar com fome te aviso — solta uma risadinha nervosa. Nunca havia tido a atenção de Maximiliano desta maneira — vi uma casa na internet que gostei, marquei para vê-la amanhã.
— Bem, também acho que devemos comprar um carro. É mais fácil se locomover — comenta Max — e se o bebê nascer aqui é melhor estar preparados. Quer arrumar um quarto para ele ou quer dormir com o bebê? Li que é recomendável que durma com você e é mais fácil para você nas noites — quando Max se deu conta do que estava dizendo suas bochechas adotaram uma cor carmesim e rapidamente olhou para outro lado.
"A janela era mais interessante." Pensa Max, mentindo para si mesmo.
Julieta continuava em choque por escutá-lo falar como um especialista, mas não quis perguntar mais.
O consultório estava mais iluminado naquela tarde, com o sol se filtrando pelas grandes janelas que davam para o lago de Genebra. Julieta estava sentada na maca, esperando o novo médico de Julieta, enquanto Maximiliano a observava de uma cadeira próxima. A barriga de Julieta estava começando a crescer e a gravidez era um pouco mais evidente, um lembrete constante do que compartilhavam, embora ambos parecessem evitar o assunto.
Havia uma estranha tensão no ar, não pelo que diziam, mas pelo que calavam. Havia tantas perguntas sem resposta, tantas emoções não expressas. Mas, naquele momento, suas preocupações se centravam apenas no bebê e na saúde de Max. Qualquer conversa sobre eles como casal parecia complicada demais para enfrentar.
— Nervosa? — perguntou Max, quebrando o silêncio que havia caído entre eles, estavam esperando o médico dentro do consultório.
Julieta se forçou a sorrir um pouco, embora a sensação em seu estômago não tivesse nada a ver com o bebê. Era ansiedade pura.
— Um pouco, mas são nervos de mamãe de primeira viagem — admitiu — O bebê está bem, tenho certeza e isso é o importante.
Maximiliano assentiu, embora sua mente estivesse em outro lugar, preocupado com o futuro de seu bebê se ele não conseguisse. Havia evitado falar sobre como se sentia realmente, como cada dia era uma batalha interna para se manter otimista. No entanto, a última coisa que queria era acrescentar mais preocupações a Julieta.
— E você... Como se sente? — perguntou ela, sem olhá-lo diretamente, fingindo que estava ocupada arrumando sua roupa sobre a maca, tinha uma daquelas aventais clínicos postos e esperava o médico pacientemente.
Maximiliano hesitou um momento antes de responder, sua voz mais suave que o habitual.
— Estou bem. Enquanto você estiver bem... e o bebê — acrescenta rapidamente.
Julieta queria dizer que não se referia a isso, mas não teve oportunidade.
O novo médico, Dr. Pascal, entrou então, interrompendo qualquer possibilidade de conversa mais profunda. Julieta se deitou para que pudesse examiná-la, e Max permaneceu em silêncio, observando, sua mente cheia de preocupações.
O médico revisou os monitores e os exames, depois assentiu com aprovação.
— Aqui está o coração dele — e a batida parecia música celestial para eles.
Max procurou sua mão e a apertou instintivamente, uma lágrima o trai e cai por sua bochecha, mas ele mal se dá conta. Não parava de alternar seu olhar entre ela e a tela que mostrava sua pequena sementinha crescendo em seu ventre.
— Está bem? — pergunta Max com voz rouca.
Julieta se sentia emocional ao ver Max comprometido em saber do seu bebê e as lágrimas fluíam livremente por seu rosto, mas estas não eram de tristeza.
"Papai te ama muito" espera que o pensamento viaje direto para seu bebê.
— Tudo parece perfeito com o bebê. Está crescendo forte, e não vejo nenhuma complicação. — Levantou o olhar para Julieta — Agora só precisamos nos certificar de que tenha os cuidados necessários para que ambos estejam bem.
— Mude de número, não me deixa nada tranquilo ir embora de manhã e te deixar assim — responde Fabricio, preocupado com ele. Este assédio já havia durado demais.
Seu rosto não se via na foto por estar de costas para o jornalista idiota, Fabricio cuidou de tudo e já o processou e retiraram a foto com um pedido de desculpas, mas todos querem tirar algo de Tomás Weaver e seu misterioso acompanhante.
Fabricio Aragon era um importante homem de negócios, sempre frio e impessoal, seus funcionários muitas vezes lhe diziam "O General" e com sua vida privada ninguém brincava. Não se envergonhava de ser gay, mas não via por que isso era problema dos outros.
— Não, gosto desse número. É o da sorte — brinca Tomás, dando uma palmadinha no ombro — Sabe o que quero? — a pergunta sendo retórica, ele mesmo se responde — férias... água salgada para esta alma penada e sol para este corpo gostoso ou talvez muito frio para se agasalhar e se aconchegar com uma xícara de chocolate quente.
— Férias? — questiona Fabricio o pouco bom senso de Tomás franze a testa e fica olhando como se ele tivesse enlouquecido.
Era difícil acompanhar o ritmo da mente de Tomás e ele acabara de chegar de uma reunião extenuante.
— Sim! É fabuloso, senhor Aragon e é o que precisamos — se levanta de um pulo e vai em busca de seu celular — vou dizer ao Hugo que arrume nossas malas — e se perdeu pelo corredor sem dizer mais.
— Nunca se cansa de me arrastar para seus planos loucos — havia dito com reprovação, mas o olhar que lançava ao corredor por onde Tomás havia ido nada tinha a ver com hostilidade.
— Me ame assim! — exige Tomás voltando com seu celular na mão quando o escuta murmurar.
"Já faço isso" quis dizer, mas não sabia se Tomás estava preparado para isso, já havia se afastado uma vez por se assustar e não queria se arriscar.
— Enfim... vou ligar para Leticia para que cancele meus compromissos por esta semana.
— Então... Pronto! — comemora Tomás com olhos brilhantes — Já é hora de darmos uma surpresa.

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