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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 192

Cap.191

Duas semanas se passaram como um sonho borrado e intenso.

A cidade de Monselha ainda respirava os ecos do escândalo Omar, mas nas camadas mais altas, um novo equilíbrio se estabelecia. Mathias, após um julgamento rápido e eficiente, muito ajudado pelo testemunho de Selene e pela influência silenciosa, mas feroz, dos Bertans, foi sentenciado a longos anos de prisão por uma lista de crimes que iam de sequestro a tentativa de homicídio.

Sua queda foi rápida e completa, apagando-o do jogo para sempre.

O presídio de segurança máxima de Monselha cheirava a desinfetante barato, mofo e desespero rançoso.

Adon Felix atravessou o corredor frio, seus sapatos de couro italiano ecoando no cimento de forma obscenamente elegante para aquele lugar.

Ele ignorou os olhares pesados dos guardas e dos outros visitantes, sua postura ereta e o corte impecável de seu terno cinza sendo uma declaração silenciosa de poder em meio àquela degradação.

Mathias já o esperava em uma sala de visitas privativa, uma concessão que Adon fizera questão de pagar, não por conforto, mas para ter a privacidade necessária para a conversa que viria. Sentado do outro lado de uma mesa de metal fixa ao chão, Mathias parecia encolhido dentro do uniforme laranja.

Seu rosto, outrora tão cuidadosamente composto em arrogância, estava pálido e marcado por olheiras profundas.

Mas os olhos… os olhos ainda ardiam com o mesmo ódio de sempre, agora concentrado como um laser em Adon.

Adon sentou-se à frente dele, sem cerimônia. Nenhum dos dois se cumprimentou.

Por um longo momento, o silêncio só foi quebrado pelo zumbido abafado dos fluorescentes.

— Valeu a pena? — Adon perguntou, sua voz neutra, quase clínica. — Se dedicar tanto a um homem que, no fundo, nunca viu você como algo além de uma ferramenta útil?

Mathias sorriu, um gesto seco e sem humor que partiu seus lábios rachados.

— Para você é fácil falar. Você que sempre teve tudo. O nome, o sobrenome, o amor do grande Alex Felix. E mesmo assim… mesmo rejeitando Omar, mesmo cuspindo no que ele te oferecia, você ainda era o favorito dele. Por quê? — A voz de Mathias subiu, um fio de frustração antiga envenenando cada palavra. — Por que ele sempre olhava para você, mesmo quando você não queria saber dele? Mesmo quando você trocou o sobrenome dele pelo de outro homem?

Adon inclinou a cabeça, um gesto de falsa ponderação.

— Sou o primogênito, Mathias. Os filhos mais velhos carregam um peso diferente. São a primeira extensão do ego de um homem. A primeira tentativa de imortalidade. Você… você foi uma consequência. Um acidente com uma profissional que ele mal deve lembrar.

— No final eu não queria poder, so o amor dele... mas valia a pena lutar pelo poder ao seu lado e assim conseguir também o amor.

— O amor de um homem como Omar não se conquista com anos de fidelidade canina. Ele se extorque, ou se nasce com ele. Você tentou a primeira opção. Eu nasci com a segunda. E mesmo assim, joguei fora.

Cada palavra era um alfinete cravejado na alma já ferida de Mathias. Seu rosto se contorceu.

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