Cap. 90
Elas foram surpreendentemente gentis com Selene. As três mulheres guiaram-na pelo corredor luxuoso do andar superior, o ambiente se tornando ainda mais exclusivo e barulhento. A música eletrônica pulsava, e o ar era pesado com perfume e fumaça.
Chegando a uma área reservada de bar, a cena que se desenrolou diante de Selene a fez paralisar.
Adon estava sentado a uma mesa grande de canto, rindo abertamente. Ele parecia relaxado e empolgado, participando ativamente de uma conversa animada com Axel e Átila. A mesa estava cercada por várias outras mulheres, todas com roupas mínimas e olhares de adoração dirigidos a ele. Era o harém em seu esplendor.
Adon era o centro de tudo, e Selene, a alguns metros de distância, sentiu a total insignificância de seu papel. Seus olhos se encheram de lágrimas.
As três mulheres que a acompanhavam comprimiram os lábios, trocando sorrisos discretos e cúmplices.
Elas se aproximaram da mesa, e as outras mulheres rapidamente fizeram espaço.
As recém-chegadas imediatamente sussurraram algo no ouvido de Adon e das demais.
Selene não fazia ideia, mas a conversa delas era sobre o “dilema virgem” de Adon.
As mulheres ao redor dele estavam surpresas com o fato de que o insensível Adon estava ali, tentando obter conselhos sobre como agir na primeira vez de uma mulher e como ser gentil na cama com alguém.
Elas estavam ali para ajudá-lo a planejar a noite com Selene.
As três meninas que trouxeram Selene rapidamente se atualizaram, e uma delas olhou diretamente para ela, sem reação, após saber qual era o motivo de Adon estar ali.
Aquele cenário confirmava tudo o que ela temia: ele era o cafajeste sem coração que usava mulheres e, agora, estava rindo e se preparando para se divertir.
De repente, uma das mulheres na mesa, que havia sido instruída sobre o assunto, apontou discretamente para Selene, porque todas as meninas já estavam cientes dela ali — inclusive Axel, Átila e Adon.
— É ela, Adon? É a menina de quem você estava falando?
Naquele momento, Selene parecia uma celebridade, o centro das atenções. O burburinho cessou, e todos na mesa olharam para ela.
Adon ficou sério. Seu rosto, que momentos antes estava relaxado, se fechou instantaneamente.
As mulheres entenderam o recado e se calaram, percebendo que haviam estragado a discrição do Presidente.
Selene permaneceu ali, parada e exposta, os olhos marejados fixos em Adon. Ele se levantou da mesa, ignorando as mulheres e os irmãos, e caminhou em sua direção.
Ele se aproximou e tentou tocar a mão dela, mas Selene recuou, afastando-se do toque dele.
— Está tudo bem, Adon — ela disse, a voz quebrada pela dor. — Eu já sabia que você tinha muitas mulheres. Não temos nada importante para que você queira se justificar.
— Não dessa vez, Selene. Não é isso, está bem? — ele insistiu, a urgência em seu tom evidente. — Hoje eu só estava procurando algumas informações. Já faz tempo que eu não venho a este lugar.
Selene balançou a cabeça, recusando a mentira.
— Você não precisa explicar nada. Eu só queria fazer uma coisa.
Adon segurou sua mão com mais firmeza, ignorando sua resistência.
— Preciso, sim. Não quero gerar mal-entendidos. Eu quero você! — ele sussurrou, aproximando os lábios do ouvido dela com intensidade, tentando abraçá-la.
O sussurro foi um choque elétrico. Em um ato de desespero e raiva, ela bateu no peito dele, tentando afastá-lo.
A visão de Adon escureceu, a testa franzida. Selene percebeu que havia cruzado a linha de sua paciência e recuou instintivamente; ela não sabia explicar por que, mas quando a expressão dele mudava, sentia como se fosse um alerta para se afastar.
Mas Adon não a soltou. Ele agarrou o pulso dela com força e a arrastou para fora do salão principal, em direção a um beco vazio e isolado da boate — um corredor de serviço onde ninguém podia ouvi-los.
POV: Selene
O corredor era escuro, iluminado apenas pelas luzes neon azuis e vermelhas que vazavam da boate principal. Eu pedi para Adon me soltar, sentindo o pânico tomar conta de mim. A dor da humilhação se misturava ao medo da sua raiva.
— Me solta, Adon! — Eu soluçava, tentando puxar meu pulso da mão dele. Eu estava agindo como uma criança assustada, mas... eu tinha seguido ele e ele tinha me descoberto, como eu deveria reagir.
Ele me soltou abruptamente, mas só para me prender com mais eficácia. Ele me encostou na parede fria, ficando cara a cara comigo.
— Por que você anda tendo medo de mim? — ele perguntou, a voz grave e tensa. — Parece que eu vou bater em você?
— Você tem um jeito muito bruto! — consegui dizer, lutando para respirar. — E por falar tão pouco, ainda fica mais assustador.
— Eu jamais encostaria a mão em você para te machucar — ele afirmou, a certeza em seus olhos me acalmando minimamente. — Não era assim que eu queria que a gente funcionasse.
Eu o encarei, o coração batendo descontroladamente.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!