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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 191

Cap.190

O sorriso de Adon não chegava aos olhos. Era uma curva fina e fria dos lábios, um reflexo do gosto amargo que enchia sua boca.

— Você tinha que viver, sim — concordou, a voz um fio de navalha. — Cair nas mãos dela foi… poético. Mas isso? — Seu gesto abarcou a cama, os tubos, o corpo imóvel. — Isso é melhor. Agora você está preso. Preso dentro da sua própria carne. Você pode pensar, pode sentir, pode ouvir. Mas nunca mais vai dar uma ordem. Nunca mais vai tocar em ninguém. Nunca mais vai corromper nada. É a única prisão que poderia te conter, Omar. E você construiu a chave sozinho.

Ele se virou para sair, a conversa esgotando o pouco de empatia mórbida que ainda tinha.

— Adon. — A voz de Omar o prendeu, mais fraca agora, mas ainda carregada daquela habilidade de perfurar. — O que você queria que eu fizesse? Você cortou os laços comigo. Mudou seu sobrenome. Negou seu sangue. Todos esses anos… você era a única coisa importante para mim. E você me rejeitou como seu pai por causa de outros! Você nem mesmo considera sua mãe? Eu? Você sabe que tudo o que passamos poderia ter sido resolvido. Você poderia ter voltado para casa. Mas decidiu não voltar!

A voz de Omar ganhou uma intensidade febril, distorcida pela máquina e pela impotência.

— Se você tivesse voltado, Simone teria voltado antes! A culpa de ela ter sofrido tanto… foi SUA!

Adon parou, as costas rígidas. A acusação, absurda e perversa, encontrou um ponto fraco em sua própria montanha de culpa. Ele se virou lentamente, os olhos escuros faiscando.

— Eu não voltei — disse, cada palavra lascada de uma fúria silenciosa. — Porque eu voltaria para alguém que destruiu minha família? Para alguém que matou a mulher que me acolheu, que me chamou de filho, que me deu a mãe que eu nunca tive? Como eu poderia olhar para você depois disso?

Omar tentou um sorriso desdenhoso, mas ele saiu como um tremor.

— Eu fiz de tudo para te recuperar. Essa mulher… ela te roubou de mim.

— ESSA MULHER ME DEU O AMOR QUE VOCÊ NEGOU! — a voz de Adon explodiu, um rugido contido que ecoou nas paredes estéreis. Ele se controlou com um esforço visível, a mandíbula tão tensionada que parecia de pedra. — Eu era uma criança. Você… você era o adulto. Você escolheu o ódio quando só poderia ter ido lá e me contado. Escolheu a vingança. E depois quer que eu volte, como um cachorro obediente?

Ele fechou os olhos por um longo momento, esgotado. Quando os abriu, havia apenas uma fadiga infinita.

— Acabou, Omar. A única coisa que seu ódio conseguiu foi isso. Você, sozinho, em um leito de hospital. Eu não sou seu filho. Sou o filho que Alex criou. Aceite isso.

Ele não esperou resposta. Saiu do quarto, fechando a porta com um clique suave que soou como um ponto final.

No corredor silencioso, iluminado por luzes fluorescentes, o ar ainda tremia com a raiva que ele carregava.

Foi então que a viu.

Selene estava parada alguns metros adiante, como uma aparição em meio ao branco clínico. O vestido hospitalar era simples, o rosto pálido, os olhos marcados por círculos escuros, mas enormes e fixos nele.

Parecia ter ouvido pelo menos parte da discussão.

Os olhos deles se encontraram. Não foi como antes, carregado de tensão ou confusão. Foi um reconhecimento profundo, uma pergunta sem palavras e uma saudade tão vasta que doía.

Selene deu um passo à frente, hesitante. A mão se ergueu, buscando tocar o braço dele — um gesto instintivo de conforto.

Adon recuou. Foi quase imperceptível, mas aconteceu. Ele viu o relampejo de dor nos olhos dela e sentiu um nó de culpa se apertar na garganta.

— Desculpa — murmurou, a voz rouca. — Eu… não é você. É tudo. A maioria das tragédias… tudo o que aconteceu com você, com a Madre, com seu tio, todo esse sofrimento… a semente foi plantada por causa de quem eu sou. Pelo sangue que eu carrego. Eu vou embora, Selene. Vou deixar a família Felix. É melhor para todos. Eu já estava cansado disso, e agora que tudo finalmente acabou, que as coisas voltaram ao seu lugar… eu posso escolher meu próprio destino.

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