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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 190

Cap.189

A consciência retornou a Selene como um choque de água gelada. Ela olhou ao redor; a sensação era de que dormira por apenas algumas horas, mas não tinha ideia de que ficara assim por quase três dias.

Um teto branco e impessoal, o cheiro antisséptico de hospital, o suave ruído de um monitor cardíaco próximo.

A memória do último instante de lucidez veio como um soco: Alex sorrindo, uma mancha escura crescendo em seu peito.

Um gemido de puro desespero escapou de sua garganta. Ignorando a tontura e a fraqueza que pesavam em seus membros, ela arrancou a agulha do soro do braço e se jogou para fora da cama. Os pés descalços bateram no chão frio. A porta do quarto estava entreaberta.

— Papai… — o sussurro foi um mantra desesperado, rasgado pela culpa e pelo medo. — Onde ele está? Por favor, não…

Ela correu pelo corredor, ignorando a enfermeira que tentou detê-la. Seu coração martelava tão forte que temeu que fosse explodir.

— Por favor, por favor, por favor…

Um quarto de UTI. Vidro espesso. Uma figura imóvel na cama, cercada por máquinas. Era ele.

Selene empurrou a porta, os joelhos cedendo no mesmo instante. Caiu ao lado da cama, os dedos enterrando-se no lençol branco, o corpo sacudido por soluços incontidos. Encostou a testa no colchão, perto da mão inerte dele.

— Eu sinto muito… eu sinto tanto… não era para ser você… nunca era para ser você… — as palavras eram um rio de culpa e dor, ininteligíveis.

Então, algo tocou seu cabelo. Um contato leve, hesitante.

Ela ergueu o rosto, encharcado de lágrimas. A mão de Alex, pálida e marcada por tubos intravenosos, repousava sobre sua cabeça.

Seus olhos estavam abertos. Fracos, pesados, mas conscientes. E neles não havia acusação nem raiva. Apenas uma tristeza imensa e um alívio profundo.

— Simone… — a voz dele era um arranhão, quase inaudível.

Ela pegou a mão dele, pressionando-a contra o rosto molhado.

— Não fale. Poupe suas forças.

Ele fez um movimento quase imperceptível com a cabeça, negando.

— Tenho… que falar. Há tanto tempo… — uma tosse fraca o interrompeu, mas ele insistiu, os olhos fixos nela com uma intensidade febril. — Eu te maltratei. Te humilhei. Fiz você me odiar. E eu… eu deveria ter sido alguém melhor… mas… tive medo. Medo de alguém estranho se aproximando do meu filho… alguém entrando na vida dele. Eu não sabia que esse alguém era a única pessoa de quem sentíamos tanta falta.

Selene permaneceu imóvel, ouvindo, o coração apertado.

— O medo… era maior do que eu. Perdi sua mãe. Pensei que tinha perdido você. Quando você reapareceu… cada vez que chegava perto de Adon, de mim, do nosso mundo… eu via sombras, tramas, pessoas querendo tirar o pouco que me restava. Pensei que usariam você para nos eliminar.

Uma lágrima solitária escorreu pela têmpora enrugada dele e se perdeu no travesseiro. As palavras, fracas, mas claras, desmontaram a última fortaleza de rancor no coração de Selene. Ela não via mais o tirano impiedoso, mas um homem velho e aterrorizado, paralisado por perdas tão catastróficas que distorceram seu amor em algo cruel e contorcido.

— Eu te perdoo, Alex. Mas você não pode morrer. Você tem uma dívida gigante comigo. Vai me compensar cada dia perdido. Vai me ensinar a ser uma Felix, entendeu?

Um novo tipo de lágrima — de alívio e alegria agonizante — encheu os olhos de Alex. Seus dedos pressionaram levemente a mão dela. Era um acordo.

A porta do quarto se abriu silenciosamente. Duas figuras entraram, e o ar mudou instantaneamente.

Eram os Bertans. O General Bertan e sua esposa, avós de Selene. Ele, em um terno impecável que parecia um uniforme; ela, em um vestido de corte severo e joias discretas que valiam mais do que todo o andar. A presença deles não era de ordem, mas de um mundo regido por regras muito diferentes das ruas de Monselha.

A Senhora Bertan foi direta ao ponto, o olhar analítico passando de Selene para Alex, frágil na cama.

— Simone. Você está bem? — a voz era educada, mas fria como mármore.

— Estou… estou agora — Selene respondeu, ainda ajoelhada, mas endireitando as costas.

O General olhou para Alex com desdém contido.

— O tiroteio foi uma demonstração de caos. Da disfuncionalidade perigosa deste… ambiente. — Voltou-se para Selene. — Você não precisa ficar presa a este mundo, menina. Você é uma Bertan. Sangue do nosso sangue. Conosco, terá segurança, educação, uma posição digna. Se quiser, fazemos essa… família… desaparecer da cidade. Limpamos este capítulo para você. Fomos tolerantes com os Felix por muito tempo, porque Adon era considerado um filho para Samilly, e prometemos nunca tocá-lo. Mas, neste momento, você é nossa prioridade. E, se quiser se casar com Adon, ele pode vir para a nossa família.

— E o restante?

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