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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 187

Cap.186

Pov selene

O carro era uma urna de vidro e aço, levando-me inexoravelmente para o centro da teia. O motorista, como um fantasma ao volante, era a última extensão do controle de Omar. Eu sabia que não podia desviar, não podia pedir para ir a um hospital, a uma delegacia, a qualquer lugar.

Além disso, acabei percebendo que estava sendo escoltada por mais dois carros. Mas eu sabia que eles ainda não tinham ligado para Omar. Ainda bem que pensei nisso antes de sair; caso contrário, já teriam me descoberto.

A única direção possível era o palácio. A única esperança — por mais frágil e insana que fosse — eu torcia para que estivesse lá.

Por favor, pensei, fechando os olhos e apertando o celular de Omar contra o peito, sob as camadas de renda. Por favor, esteja lá. Você disse que sempre me protegeria. Você disse que me encontraria. Dirigi o pensamento a Adon, como uma prece desesperada.

A parte mais difícil, a parte impensável, eu havia feito. Mas agora, cercada pelos homens do homem que eu matara, me sentia mais vulnerável do que nunca.

O carro deslizou por um portão majestoso. À minha frente, o palácio de festas se erguia, um monumento de luz branca e dourada contra o céu noturno.

A escadaria monumental, forrada por um tapete vermelho tão largo quanto uma estrada, levava até portas enormes e abertas, de onde fluíam música suave e o burburinho abafado da elite.

Eduardo parou o carro no início do tapete. Saí, e ele veio logo atrás de mim, me escoltando, quando seu telefone tocou. Um toque diferente, insistente. Meu coração deu um salto e depois afundou.

Caminhando pelo tapete vermelho, olhando ao redor, eu não via ninguém… Será mesmo que eu seria morta ou capturada antes mesmo de entrar no salão?

Cada passo parecia aumentar minha tensão. Acelerei o ritmo, afastando-me dele enquanto ele atendia ao telefone.

Vi seu rosto impassível se contrair levemente ao ouvir.

— Sim? — Uma pausa. Seus olhos, no reflexo, encontraram os meus. Não eram mais neutros. Eram afiados, alertas. Alguém dentro da mansão, ao encontrar o corpo ou perceber a ausência prolongada de Omar, fizera a ligação crucial.

— Entendido — ele disse, a voz cortando o ar. — Retenha-a.

Descobriram.

O pânico veio como um jato de adrenalina gelada. Sem pensar, meu corpo reagiu. Quase tropeçando no vestido monumental, eu corri.

— Pare! — a voz de Eduardo rugiu atrás de mim, não mais profissional, mas carregada de uma urgência mortal.

Eu não olhei para trás. Meu mundo se reduziu àquele tapete vermelho e às portas brilhantes.

Só preciso entrar. Só preciso de tempo. Lá dentro, talvez… talvez haja confusão, pessoas, uma chance.

Agarrei as pesadas camadas do vestido com as duas mãos, levantando-as até os joelhos, e corri ainda mais rápido, desesperada.

Os saltos altíssimos eram armadilhas, ameaçando torcer meus tornozelos a cada passo. O ar queimava meus pulmões. A visão começou a embaçar, não por lágrimas, mas pelo esforço brutal e pelo terror puro.

A coroa de diamantes que prendia o véu voou da minha cabeça, caindo e se perdendo no tapete como um símbolo descartado.

— PARE! — o grito soou mais próximo.

Um estalo seco, de metal sendo armado, cortou a música distante.

Olhei para trás num reflexo involuntário. Eduardo estava a poucos metros, em pé, com os dois braços estendidos. O cano escuro de uma pistola apontava diretamente para mim.

É aqui. O pensamento veio simples, resignado. Vou morrer de vestido de noiva, em um tapete vermelho, depois de tudo.

Fechei os olhos com força. Apertei os braços contra o corpo, encolhendo-me numa tentativa última e fútil de me esconder, de me fazer menor que o alvo. Um choro sufocado explodiu no meu peito.

Por favor… alguém…

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