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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 186

Cap.185

Pov. Selene

A arma na minha mão parecia um peso vivo a cada segundo pesando ainda mais com o medo, A ponta do silenciador, um cilindro negro e ameaçador, não tremia tanto quanto o meu espírito.

E ele, Omar, ficava ali, de pé diante da janela do segundo andar, as costas voltadas para mim como a maior afronta de todas.

— Você não vai atirar, Selene — disse ele, sua voz um riacho calmo de convicção absoluta. — Não em mim. Você não tem nada contra mim.

Eu sorri. Um sorriso de gelo que rachou os cantos da minha boca, secos de pânico.

Por dentro, eu gritava o que ele não sabia que eu já tinha descoberto.

Eu sei que você matou minha mãe. Eu sei que você matou a Madre. Eu sei que você envenenou cada verdade da minha vida.

Mas as palavras não saíram. Elas eram minha única vantagem agora.

Deixá-lo subestimando minha ação era parte do plano. Um plano que começava a desmoronar diante daquela calma insuportável.

Um soluço de pura frustração ameaçou subir pela minha garganta.

Meus olhos arderam. Ele estava tão confiante. Tão seguro de que eu era uma criança assustada com uma arma de brinquedo.

Ele, então, pegou o celular. Olhou para mim, um brilho de diversão perversa nos olhos.

— Sim, é Omar. A noiva irá adiante. O carro escuro, apenas com um dos seguranças. Sim, ela está comigo agora, um pouco ansiosa. — Ele fez uma pausa, seus olhos me perfurando. — Não, não há problema. Deixem-na ir. É um desejo dela. Cumpram a rota alternativa, como combinado. Nada de desvios e não teremos imprevistos.

Eu ouvi cada palavra, cada inflexão. Meu cérebro, em pânico, tentava processar se era outra armadilha.

Ele estava realmente fazendo o que eu pedira. Por quê?

Ele desligou e guardou o aparelho no bolso do paletó, endireitando a lapela com um gesto despreocupado.

— Viu? Nada demais. — Ele deu um passo à minha frente, mas ainda a uma distância segura. — O que você pediu não é grande coisa. Meus homens vão levá-la. Fugir? Impossível. E Adon… — Ele soltou uma risada baixa. — Mesmo que ele soubesse para onde você vai, mesmo que tentasse rastrear o carro… a rota é diferente. O local, discreto. No momento em que ele perceber o que aconteceu e tentar invadir o casamento, será tarde demais. Os portões estarão fechados para ele. Para sempre.

— Está tudo bem — eu disse, e minha voz soou estranhamente plácida, como se pertencesse a outra pessoa.

— Claro que está. — Ele inclinou a cabeça, estudando-me. A confiança dele era um monumento. — Uma curiosidade… como conseguiu a arma? Eu sou tão cuidadoso.

Fiquei em silêncio.

— Isso é necessário?

— Não importa — ele continuou, encolhendo os ombros. — Se você realmente quisesse me matar, já teria feito antes. Em um dos nossos… jogos de xadrez. Quando eu estava distraído. Mas você não é assassina, Selene.

Ele se virou novamente, contemplando a vista da janela. A luz do final da tarde banhava seu perfil, aquele perfil tão familiar, tão amado e tão odiado. Seu descuido era absoluto.

Eu não era uma ameaça para ele, e sim só uma criança birrenta com uma arma, e ele estava me humilhando com sua indiferença.

— Pronto. Já avisei aos homens. Não precisa mais se preocupar. — Suas palavras eram quase um arrulho. — Você é preciosa para mim, Selene. De muitas formas.

O nojo e a gratidão se misturaram em meu peito, formando um coquetel tóxico.

Eu sorri, um sorriso de submissão aprendida, e baixei a arma alguns centímetros, fingindo-me vencida, convencida.

— Obrigada, Omar — murmurei.

Ele não respondeu. Permaneceu de costas para mim, um rei observando seus domínios pela janela. Isolado. Arrogante. Inatingível.

E então, sem pensar meu dedo, que já estava no gatilho, contraiu-se.

O som foi um puff seco e abafado, um espirro de morte.

A arma saltou em minha mão, um recuo muito mais forte do que eu esperava. A cena desacelerou.

Omar estremeceu. Uma mancha vermelha e úmida surgiu nas costas impecáveis do seu paletó escuro, bem entre as omoplatas.

Ele se virou lentamente, um movimento desengonçado, seus olhos arregalados de um espanto puro e absoluto.

A boca entreaberta, ele tentou falar, mas só saiu um borbulhar de sangue escuro pelos lábios.

Eu levei as mãos à boca, engasgando um grito.

Meu Deus, o que eu fiz?

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