Pov. Selene
Adon me guiou pelas portas altas do palácio, sua mão na minha cintura uma âncora firme em meio a bagunça que estava a minha mente e meu corpo que tremia a cada passo.
O som da orquestra, que antes me parecia uma marcha fúnebre, agora se transformou em algo diferente.
Ainda era solene, mas envolvia um burburinho de vozes, risadas contidas e o tilintar de taças.
E então, eu os vi.
Não eram os rostos impassíveis dos capangas de Omar, nem os sorrisos falsos de uma sociedade que me via como peça de troca.
Do lado esquerdo do saguão monumental, perto de uma fonte de champanhe, estavam Katleia, Gildete e Mima e Maju... céus... parece que Adon já tinha mudado todo o enredo.
Vestidas com elegância simples, mas com os olhos fixos em mim, cheios de uma ansiedade que se dissolveu em lágrimas silenciosas e sorrisos trêmulos de alívio.
Maju estava um pouco atrás, segurando a mão de Mima, seus olhos arregalados e cheios de admiração, ela parecia ter se apegado a Mima, fico tão feliz que ela tenha voltado a si. Um pedaço do meu mundo real, de minha verdadeira família escolhida, estava ali, são e salvo.
Meu passo vacilou. Um novo tipo de emoção, quente e esmagadora, subiu pelo meu peito.
— Como… — engasguei, olhando para Adon. — Como elas estão aqui? O que aconteceu?
Ele continuou a me conduzir, seu olhar varrendo o salão com uma cautela de falcão, mesmo parecendo calmo, todos nos olhavam e eu me sentia constrangida vestida de forma extravagante como uma noiva de um casamento que foi cancelado.
— Fizemos uma varredura horas antes. Capturamos os homens que Omar plantou aqui. Substituímos a segurança. Suas amigas foram trazidas por Átila e William. Elas nunca estariam em perigo. — Ele olhou para mim, e pela primeira vez desde que me encontrou no tapete, vi um cansaço profundo em seus olhos, sob a camada de alerta.
— Você confiava tanto que eu ia conseguir chegar?
— depois da verdade... conheço sua determinação.
— Nunca pensei... mas e seu não conseguisse?
— Eu estava contando com isso, tinha certeza que conseguiria, Selene. Enquanto eu Estava cuidando de tudo para que este lugar, que deveria ser sua prisão, se tornasse seu porto seguro.
Ele usou o próprio plano de Omar, virou-o contra ele. A admiração e um resto de incredulidade bateram em mim.
— Então… e essa festa? Toda essa gente? — perguntei, observando os convidados elegantes, muitos dos quais olhavam para nós com curiosidade indiscreta.
— Essa festa agora — ele disse, sua voz baixando para um tom mais íntimo, quase confidencial — não é mais um casamento. É uma apresentação. Uma reconciliação forçada, talvez, mas uma oportunidade. Para que você, Simone Felix, seja reconhecida publicamente por ambas as famílias. Os Felix, que você sempre conheceu, e os Bertans, que você nunca soube que existiam. Duas dinastias rivais, ligadas novamente por você.
Ele ainda mantinha sua mao em minha cintura. Seu toque era cuidadoso, quase hesitante. Quando nossos olhos se encontravam, ele segurava o olhar por um segundo a mais do que o normal, antes de desviar, como se estivesse revendo um território proibido.
A barreira ainda estava lá. A sombra de anos acreditando que eu a irmã maculada dele estava morta e agora ao lado dele... posso compreender sua sensação e constragimento, o hábito de me proteger como a uma irmã mais nova, tudo isso pairando entre nós.
Meu coração apertou de uma forma dolorosa e doce ao mesmo tempo. Eu sorri, sem jeito, baixando os olhos para o chão de mármore.
Naquele turbilhão de emoções que eu estava sentindo ao olhar ao redor, tudo que eu queria... e o que eu me perguntava, era... Se essa frustração era porque eu queria que isso fosse o meu casamento? Com ele?
A pergunta não teria resposta, Adon me direcionou suavemente para o centro do salão, onde um grupo aguardava.
Eles não se misturavam facilmente com os outros convidados. Formavam um bloco compacto de autoridade silenciosa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!