Cap. 171
A sala da biblioteca pareceu encolher ao redor de Selene, o peso das duas folhas de papel sobre a mesa de madeira agindo como âncoras em sua alma.
— Pense bem, você não quer anular?
— Quero! Mas, em troca, não queria uma coleira ainda mais duvidosa.
— Sabe… eu conheço Adon. Ele não vai deixar você em paz, mesmo que saiba da situação de vocês. Se casando de novo, vai impedir e, aos poucos, apagar o que aconteceu.
— Nada vai apagar o que aconteceu!
— Mas você pode reverter e abafar o escândalo que viria.
— Selene… — Mathias interrompeu, com a voz calma. — Vamos esquecer o passado. Eu não estava pensando direito. Prometo que serei bom para você.
— Você deveria ter sido quando ainda estávamos juntos. Uma vez que um homem levanta a mão para uma mulher, há chances de ele fazer de novo, e você me agrediu mais de uma vez.
— Qual é! Eu já paguei com dívida de sangue, fiquei dias em cativeiro por causa disso.
— Se tivesse aprendido, não teria me sequestrado depois para me entregar a um grupo de homens.
— Vocês parecem duas crianças. Deixem as brigas para depois. Neste momento, é melhor pensarmos no futuro, no novo futuro que está por vir entre nós três. O que você diz, Selene?
Ela respirou fundo, o ar perfumado do lugar agora parecendo enjoativo. Quando falou, sua voz surpreendeu-a pela própria frieza, um contraste gritante com o turbilhão interno.
— Posso ter um tempo para pensar? — a pergunta não era de submissão, mas de estratégia. Ela precisava sair daquela sala que intoxicava sua capacidade de raciocínio.
Omar estudou-a por um longo momento, seus olhos astutos percorrendo o rosto dela em busca de brechas, de medo aproveitável.
Ele não encontrou o pânico que talvez esperasse, mas uma barreira de gelo.
— Claro — ele concedeu, com a magnanimidade de um rei que sabe que o jogo já está vencido. — A decisão é grande. Mas não seja muito romântica, Selene. O tempo, aqui, é um luxo que se esgota rapidamente.
Ela se levantou para seguir para a porta, mas, de repente, virou-se para ele, encarando-o.
— Por quê? — perguntou, mudando abruptamente o rumo, os olhos fixos nos dele. — Por que não me matou? Seria mais fácil.

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