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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 171

Cap.170

Narrado por Selene.

Esperei elas escolherem, sentada a beira da cama apertando meus dedos com as unhas como forma de me acalmar ou focar em alguma outra coisa.

As mulheres me vestiram como se eu fosse uma boneca de porcelana valiosa.

Não lutei. A apatia que sucedeu ao pânico que parecia me sufocar. Elas escolheram um vestido de seda cor de pérola, de cortes sóbrios que, mesmo assim, realçavam cada curva de um modo que me fez sentir nua.

Pentearam meu cabelo até que brilhasse, ondulando suavemente sobre os ombros.

Maquiaram meu rosto, escondendo o inchaço das lágrimas sob uma máscara de serenidade impecável.

Quando me vi no espelho, não me reconheci. Era uma estranha, uma figura elegante e fria prestes a ser apresentada em um leilão macabro.

Mathias veio me buscar. Sem uma palavra, apenas um gesto para que eu o seguisse, ele realmente parecia respeitoso quanto a espaço e distancia tentando não parecer uma aemaça, mas para mim não mudava nada.

Caminhamos por corredores amplos e silenciosos, com paredes de pedra clara e tapetes tão grossos que abafavam nossos passos. O luxo aqui era bem extravagante, diferente do modernismo frio dos Felix. Cheirava a madeira encerada, livros velhos e poder absoluto, isso me fazia me questionar quem realmente era Omar e o que ele representava para os Felix.

A sala onde Omar esperava era uma biblioteca. Estantes do chão ao teto abarrotadas de volumes encadernados em couro.

Uma lareira enorme, apagada, dominava uma das paredes. Ele estava sentado em uma poltrona de couro envelhecido, perto de uma mesa baixa, lendo um livro.

Ao nos ver entrar, fechou-o suavemente e ergueu os olhos, mas não pude os ver tão bem quanto queria, senti uma pontada de reconhecimento, aquele homem... sua presença e seu jeito, eram miseravelmente perturbadores e familiares como se a gente convivesse juntos.

Minhas mãos tremeram só de pensar, quem ele era? E porque essa sensação.

— Sisi, — disse, sua voz um arrastado suave que fez meu sangue gelar. — Que bom ver você recuperada. Sente-se.

Ele não parecia um monstro, Parecia um professor, um avó culto, Usava um suéter de lã fina sobre uma camisa aberta.

Os óculos na ponta do nariz. O perigo, eu percebi com um calafrio, não estava em sua aparência. Estava no ar, na quietude da sala, na maneira como Mathias ficou parado atrás de mim, não como guarda-costas, mas como um carcereiro elegante.

Sentei-me na cadeira oposta a ele, mantendo a postura rígida. Minhas mãos, entrelaçadas no colo, não tremiam.

Sentia-me estranhamente vazia, como se toda emoção tivesse sido drenada na banheira, restando apenas um núcleo frio de curiosidade mórbida.

Por que eu estava aqui? O que ele realmente queria?

— Você deve ter muitas perguntas —, começou Omar, servindo chá de um bule de porcelana fina em duas xícaras. — O que aconteceu foi… trágico. Uma sucessão de erros familiares. Dos Felix, claro. Nunca meus.

Fiquei em silêncio, aceitando a xícara sem tocar no chá.

— Vamos começar pelo começo. Pelo seu começo. Você, minha querida, sempre foi uma peça valiosa. Herdeira de um nome poderoso, de uma fortuna que faz o Grupo Felix parecer uma barraca de feira. Alex Felix, em sua ganância juvenil, pensou que poderia jogar o jogo sozinho. Escondeu você, pensando em proteger seu tesouro. Só que ele subestimou os lobos, nos temos faro, parece que seu irmão mais velho não te protegeu tao bem quanto queria.

Ele fez uma pausa, observando minha reação. Meu coração deu um solavanco.

— Adon.

— Sim, Adon — ele sorriu, como se lesse meus pensamentos. — O nobre irmão mais velho. O protetor. Quando descobriu onde você estava, o orfanato, correu para lá. Mas o fogo… ah, o fogo foi um acidente tão conveniente para alguns. E tão devastador para ele, você era a coisa mais preciosa para ele... como ele deve estar se sentindo agora em saber que acabou tocando de forma indevida a sua preciosidade.

— Não entendo onde você quer chegar com essa conversa, tudo é muito repetitivo.

— estou tentando mexer com sua memoria seletiva, ou será que isso apagou o acordo que você assinou com adon.

Eu franzi a testa, involuntariamente.

— acordo? Como o senhor sabe disso?

Omar sorriu, um sorriso de gato que engoliu o canário.

— Eu sei de tudo, minha cara. Estive nos bastidores deste drama desde o primeiro ato. O acordo foi com… bem, ele não deixou você ler, mas... você não deveria ler as coisas que assina?

— Eu... é só um acordo de divida, porque esta me incomodando desse jeito?

— Mas vamos ao ponto mais interessante do presente. — continuou Omar, sua voz ficando mais afiada. — O seu… relacionamento com ele. Você sabe o que assinou naquele contrato?

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